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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Morre ator Torgeir Wethal do Odin Teatret

No domingo, 27 de junho, faleceu um dos importantes nomes do teatro Odin. Ao lado de Eugenio Barba e Riszard Cieslak, Torgeir trabalhou incansável para novas diretrizes e treinamentos que influenciaram atores no mundo inteiro.
O funeral do ator e diretor do Odin Teatret será realizado no sábado, 3 de julho,  às 14h na capela Egekirkegården, Holstebro, Dinamarca.



Abaixo, a carta escrita por Eugenio Barba - amigo e mestre-, falando da morte do ator, publicada no site do Odin Teatret:

"Querido amigo,

Te escrevo em nome de todo Odin Teatret.

No domingo, 27 de junho às 7:45 da manhã, faleceu Torgeir Wethal. O conheci quando tinha apenas 17 anos em 1964 e juntos fundamos em Oslo, na Noruega, o Odin Teatret. Torgeir esperava fazer 18 anos para poder ingressar na escola teatral, mas nunca deixou de acreditar e permanecer-se leal ao grupo, que no começo, parecia um projeto amador, passageiro.

Durante os 46 anos de atividade Torgeir tornou-se ator, diretor teatral e de cinema, sempre em nosso grupo. Seu filme com Ryszard Cieslak sobre o treinamento é um testemunho único da força da inovação desta prática redescoberta por Grotowski. Seu filme sobre treinamento, os espetáculos, as viagens e as trocas do Odin mostram pontos marcantes de um grupo que delineou novos campos para a ação teatral. Participou em todos os espetáculos do Odin, inclusive como assistente de direção. Até maio de 2010, apesar de estar debilitado por causa da doença, trabalhou em todos os ensaios do novo espetáculo do Odin, “The Chronic Life” ( A vida crônica).

Em novembro de 2009 foi diagnosticado um tumor maligno no pulmão, que se espalhou rapidamente. Queremos dar esta notícia a você que não o conhecia. Para você que o conheceu, é um fragmento da sua vida que te disse adeus."

Eugenio Barba
(Tradução: Adriano Costello)

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(Em espanhol)
Querido amigo,
Te escribo en nombre de todo el Odin Teatret.

El domingo 27 de junio a las 7.45 de la mañana falleció Torgeir Wethal. Lo conocí cuando tenía apenas 17 años en 1964 y juntos fundamos en Oslo, en Noruega, el Odin Teatret. Estaba por cumplir dieciocho años para poder ingresar en la escuela teatral, pero no dudó de creer y permanecer leal al grupo que al comienzo parecía un proyecto diletante pasajero.

Durante estos 46 años de actividad Torgeir se vuelve actor, director teatral y cinematográfico, siempre en nuestro grupo. Su film con Ryszard Cieslak sobre el training es un testimonio único de la fuerza de innovación de esta práctica redescubierta por Grotowski. Su film sobre el training, los espectáculos, los viajes y trueques del Odin muestran los puntos sobresalientes de un grupo que ha delineado nuevos campos de acción teatral. Ha participado en todos los espectáculos del Odin, incluso como asistente de dirección. Hasta mayo del 2010, a pesar de estar debilitado por la enfermedad, ha trabajado en los ensayos del nuevo espectáculo del Odin, La vida crónica.

En noviembre del 2009 le diagnosticaron un tumor maligno en el pulmón, que se diseminó rápidamente. Queremos darte esta noticia a ti que no lo conocías. Para ti que lo has conocido es un fragmento de tu vida que te dice adiós.

Eugenio Barba

terça-feira, 29 de junho de 2010

Teatro Cultura Artística

A partir desta terça, 29, o Teatro Cultura Artística ganha um retrato visual da sua restauração na região central de São Paulo. Os tapumes da sua reforma serão transformados em painéis de fotos e vídeos que relembram sua história desde a inauguração em março de 1950 até o incendio que destruiu o teatro em 2008.

A obra principal da exposição é o painel Alegoria das Artes, do pintor brasileiro Di Cavalcanti e instalado na fachada do Cultura Artística. É aliás, o maior painel do artista (48 x 8 mt) e que  resistiu ao incêndio de 2008, passando por recente restauração.

A mostra exibirá fotos que ilustram o significado do painel nas obras do artista e no movimento modernista. Em seguida, televisores de LCD serão instalados e apresentarão documentários sobre o teatro e o painel, e o processo de restauração do painel.

A exposição estará disponível à todos que passarem pela calçada do Teatro Cultura Artística, na Rua Nestor Pestana, 196. Funcionando todos os dias das 9h às 17h.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Gil Vicente: A Farsa de Inês Pereira

No teatro medieval uma das mais famosas peças, representadas com sucesso até hoje, foi escrita por Gil Vicente...

Gil Vicente e A Farsa de Inês Pereira

Considerado o Pai  do teatro português, Gil Vicente nasceu em Guimarães (?) e viveu por volta de 1465 até provavelmente, 1536.

“A Farsa de Inês Pereira foi representada em 1523, inspirada no provérbio "mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube".

Inês era uma jovem cansada dos trabalhos domésticos e que procurava ansiosamente por um bom casamento. Seu primeiro pretendente foi Pero Marques, um lavrador rico e honrado, porém muito tosco para atender os desejos da jovem, que sempre sonhara com um marido galante e refinado.  Inês, finalmente, casa-se com o escudeiro Brás da Mata, que lhe é indicado por dois judeus casamenteiros, Latão e Vidal.

No início era galanteador e afável, após o casamento revela-se um marido tirano, daqueles que tranca a esposa em casa e coloca-a sob a vigilância dos empregados. Pouco depois do casamento, Brás vai para uma batalha no Norte da África, atingido pelas costas por um pastor mouro quando fugia, morre e Inês fica viúva. Agora, viúva e experiente, Inês resolve aceitar como marido o antigo pretendente Pero Marques.  Resolve também iniciar uma vida de festas para compensar o tempo que passara com o escudeiro como: ao dar esmola a um ermitão, reconhece nele a figura de um ex-namorado e marca com ele um encontro.

A peça teatral termina com Pero Marques conduzindo Inês nas costas até o local onde ela deveria encontrar-se com o amante.

A temática da peça está profundamente ligada à realidade vivida pela sociedade portuguesa da época de Gil Vicente como: o desejo de ascensão social da pequena burguesia, que vê no casamento numa forma de consegui-la, o oportunismo, o desprezo pela vida camponesa e o prestígio das maneiras cortesãs, a ignorância do rústico, embora rico a figura do camponês e sua ingenuidade, além da falta de escrúpulos que é o auge da peça.”

Personagens:
Inês Pereira: jovem esperta que se aborrece com o trabalho doméstico. Deseja ter liberdade e se divertir. Sonha casar-se com um marido que queira também aproveitar a vida.
Mãe de Inês: mulher de boa condição econômica, que sonha casar Inês com um homem de posses.
Leonor Vaz: fofoqueira, encarregava-se normalmente em arranjar casamentos e encontros amorosos.
Pero Marques: primeiro pretendente de Inês rejeitado por ser grosseiro e simplório, apesar da boa condição financeira. Foi seu segundo marido.
Latão e Vidal: judeus casamenteiros, assim como Leonor.
Brás da Mata: escudeiro, índole má, primeiro marido de Inês.
Moço: criado de Brás.
Ermitão: antigo pretendente de Inês e amante depois de seu casamento com Pero.
Fernando e Luzia: amigos e vizinhos da mãe de Inês.

domingo, 27 de junho de 2010

Entrevista: Marco Antonio de La Parra

* A entrevista que segue é uma das poucas já feitas pelo escritor chileno, e foi realizada por Beth Néspoli, do Jornal O Estado de São Paulo, em 28 de abril de 2007.

Um chileno com olhos de Chekhov

Durante oficina na Faap, Marco Antonio de la Parra discorre sobre coisas ´aparentemente irrelevantes´, mas, para o dramaturgo, é so ´teatralidade menor´

Entrevista
SÃO PAULO - Marco Antonio de la Parra recebe a reportagem do Estado no saguão do Teatro Faap na terça-feira seguinte ao fim de semana da estréia de sua peça O Continente Negro . Está ali para ministrar uma oficina de dramaturgia. Permite que se acompanhe o segundo dia de trabalho, mas avisa à repórter e ao fotógrafo: “Vocês podem entrar, mas nenhuma palavra, silêncio.” E explica como será o trabalho.

Na véspera, o primeiro dos três dias de duração da oficina, ele pedira a todos os participantes que escrevessem em folhas separadas duas cenas distintas: uma bem banal, outra trágica. “Ações simples, por exemplo, ela vai até a janela. Importante que sejam no presente e sem identificação do autor, em letra de imprensa.” Ao fim do dia, os papéis foram misturados. Cada um recebeu duas cenas diferentes, escritas por outros. O dever de casa para o dia seguinte: trazer para a sala objetos variados para criar as cenas recebidas. “Sem palavras, hoje quero apenas imagens. Amanhã será o dia de juntar tudo. Aí teremos um pequeno festival de cenas curtas.”

Na sala já esperam alguns participantes, entre eles Yara de Novaes e André Cortez, respectivamente atriz e cenógrafo de O Continente Negro, e Fernanda Almeida, operadora de luz de BR3 do Teatro da Vertigem. Mochilas, bolsas, um tripé de máquina fotográfica, gravadores, bonecos, panos, muitos são os objetos espalhados.

Desde a primeira criação, justamente de Fernanda, aparecem elementos como rituais, cânticos e velas. Essas vão aparecer outras vezes, assim como crianças abandonadas ou violadas, corpos mutilados, cidades congestionadas e violentas. “Em certas oficinas, além da cena banal e trágica, peço um mito. Não pedi aqui e nem seria preciso - o elemento religioso apareceu com força”, observou la Parra, ao fim do dia.

Houve uma tendência ao figurativo e uma profusão de imagens. E você, claramente, pedia síntese e sugestão. É sempre assim?

Houve uma tendência ao barroco. Isso varia. Na Cidade do México, no primeiro dia foi terrível, muitas imagens, mas as sínteses, no último dia, foram muito fortes. Na Argentina, são sintéticos nas imagens, mas não nas palavras, o texto comanda. Em Monterrey, no México, dei uma oficina em que a síntese predominou, mas porque havia muitos artistas de teatro de bonecos. Na Espanha são tímidos, se soltam pouco. Eu prefiro que se soltem, sejam barrocos, porque quando chegamos à síntese, ela é mais forte. Isso certamente vai acontecer amanhã.

Havia ainda a dificuldade em mudar o ponto de vista. Se um bonequinho era colocado sobre uma mesa, a tendência era sempre olhá-lo de frente, por mais que você falasse: olhem por vários ângulos.

Sim, por exemplo, foi construída essa imensa cidade, cheia de bonecos e ruas feitas de sal. Seria mais interessante tirar todos os bonecos e apenas caminhar pelas ruas. Tentei, mas isso não aconteceu. É difícil romper a Gestalt. Há mais um agravante. O material trabalhado aqui é muito doloroso, porque pedi experiência pessoal. Apareceu muito abuso infantil, perda de inocência, violência interconjugal. E o elemento religioso, muitas velas.

Sempre que se trabalha sobre o pessoal, a tendência é aparecer primeiro o mais óbvio, o senso comum. No entanto, o trabalho artístico é justamente fugir dele, não?

Sim, mas há um momento em que temos de ver quais lugares-comuns vamos visitar. Porque o trabalho artístico passa pelos lugares-comuns. Não se pode evitar. É preciso reconhecê-los. Chekhov os visitava. Em O Continente Negro, visito os lugares-comuns.

Escrevi trabalhando com três atores de televisão muito conhecidos. Depois quis que os dirigisse uma mulher, porque é uma obra muito feminina. Queríamos fazer realismo, mas não televisão. Então, o primeiro trabalho foi cortar as cenas que a TV usaria. As dramáticas, as intensas, aquelas que todo mundo entenderia o que estava acontecendo. E deixamos as cenas de sobra, o que iria para o lixo. A peça é feita de pedaços de telenovela. Faltam 50%. Sempre falta um pedaço. É uma obra muito psicanalítica.

Você é formado em psiquiatria, não?

Sim. E nessa peça trabalho femininamente sobre o que Lacan chama a falta, sobre o que está castrado. Os personagens falam de amor, mas as cenas amorosas não estão. Eu poderia perfeitamente contar O Continente Negro como uma telenovela, porque ela passa pelos lugares-comuns, só que eles não estão ali. É uma obra fantasma. Em neurologia, sabe-se que se amputam uma perna, o paciente segue sentindo a perna. Nessa peça, faltam fragmentos que, no entanto, estão ali, como fantasmas. Tocamos, emocionalmente, sobre o que está perdido. É também um peça feminina porque faz uma elipse sobre as histórias. Contar direto é uma atitude masculina. As mulheres fazem elipses, vêem os detalhes; nós, homens, nos desesperamos, e perdemos com isso. A mulher vê de perfil, por isso ela sabe que está sendo olhada. Os homens, não.

No prefácio, você diz que a peça tangencia clichês e, para escapar disso, deve ser encenada com teatralidade menor. Pode explicar?

Uma interpretação sem primeiro plano, o que não funciona no cinema. É anticinema. Trabalho como roteirista em televisão, ali você tem de ser eficaz, é sabotador. O que chamo teatralidade menor são coisas que não têm nenhuma importância, chekhovianamente falando, sem trama e sem final. Isso é frase de Chekhov, sem trama e sem final, ele diz numa de suas cartas. No teatro, posso trabalhar com cenas mínimas, sem clímax, sem desenlace.

Encontrou essa teatralidade menor na montagem brasileira?

Descobri coisas na montagem de Aderbal Freire-Filho, que é muito espetacular. Isso é supreendente. A peruana, da qual gostei muito, foi feita numa sala vermelha, apenas 70 pessoas na platéia, três portas, um piano muito suave. Aqui há guitarras, jazz, um vibrato distinto. Ao mesmo tempo, Aderbal teve a capacidade de colocar em primeiro plano as ações menores. Com toda a intensidade que o espetáculo tem, parece pequeno - as mesmas pausas, a mesma delicadeza. O espetáculo gigantesco do mínimo. Gostei muito.

Você escreve peças, romances, roteiros, artigos. Há um traço comum em sua criação?

Há uma linha muito forte que atravessa tudo - a linha histórica. Tento contar a história política do Chile no século 20. Há outra íntima, que é O Continente Negro . E há a linha louca. A Secreta Obscenidade de Cada Dia , impossível encontro de Freud e Marx num banco de praça, é uma dessas peças louquíssimas e a encenou Antônio Abujamra há 15 anos. Há várias obras minhas totalmente demenciais. Uma peça de clowns, um sofá que voa, um falso road movie policial cuja trama é totalmente estúpida. Tenho paixão pelo teatro estúpido. Gosto de fazer comédias excessivas. É muito divertido.

Sobretudo para quem faz, não? Às vezes mais do que para quem vê.

Claro, claro. A gente vai apurando a linguagem assim. São exercícios delirantes. Eu tento me divertir escrevendo. Mas, é claro, a ditadura me marcou a vida, sigo escrevendo sobre ela em ensaios, contos.

Ainda é um tema? No Brasil parece já esgotado.

Para mim, não. Sou psiquiatra. E, como tal, me tocaram muitas histórias. Atendi gente cuja vida foi profundamente tocada pela ditadura. Atendi tanto ex-membros do partido comunista como da polícia política. Isso mudou minha vida.

Você ainda atua como médico?

Sim, claro. Atendi pacientes que mataram para o serviço secreto. Não há bons ou maus, todos mataram. O mal é um tema que provavelmente vou desenvolver, de como posso me transformar num assassino. Tenho lido muito Dostoievski. Talvez eu trabalhe sobre Fausto, do Thomas Mann.

Como você está vendo o surgimento de novos políticos na América Latina, como Chávez?

É uma curiosidade. Todo o personagem sem uma ‘aurora' (aponta a testa) me dá medo. Prefiro o governo socialista mais pensado do Chile. Nunca fui dogmático. Pouco antes do golpe, estava rompido com a esquerda e a direita. Não tolero os dogmas, nem mesmo dos ecologistas. A gente dogmática me põe de cabelos arrepiados. Meu teatro tende a ser um convite a pensar, incluindo aí meus escritos sobre psicanálise, sobre literatura. Estou sempre duvidando. Estou esperando que morra Fidel para que possa trabalhar com essa complexa figura.

Por que esperando que morra?

Porque a revolução é tema complexo. O século 20 foi tão revolucionário que é desesperante. Não sobrou nada de todas as revoluções. Da Rússia, só sobrou Chekhov.

Ele é anterior à revolução.

O mundo russo para mim é uma influência muito importante. O que sucedeu com esse mundo? Outra influência importante é a norte-americana, esse império romano. O que é esse império estranho? O século 20 é tão estranho.

Você foi muitas vezes a Cuba?

Fui apenas uma vez, por poucos dias. Tenho pudor de fazer turismo num país que está vivendo uma situação complicada. Queria ir como convidado, conhecer a situação.

Conhece o teatro brasileiro?

Não, muito pouco. A literatura conheço um pouco mais. Machado de Assis é o meu favorito e fiquei muito atraído por Campos de Carvalho. O Brasil é um mundo à parte. As ditaduras trataram de separar os países da América. Há apenas cinco anos comecei a conhecer o teatro argentino, que tem coisas fantásticas, a nova dramaturgia colombiana, a mexicana. Do Brasil conheço pouco, não tenho uma opinião do panaroma. Conheço apenas a literatura dramática consolidada, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos. Nada da nova dramaturgia.

Na oficina, você disse que bonecos eram bons atores porque seus corpos estão mortos e que os atores tinham de morrer para ressuscitar?

Exatamente. Em oficinas mais longas, trabalho muito sobre o corpo, um tema contemporâneo interessante. Agora mesmo no Brasil vocês têm uma exposição com cadáveres trabalhados como material plástico. Esse corpo que Orlan declarou obsoleto. É uma mulher que faz diversas operações plásticas, ora para parecer a Mona Lisa, ora para ter um nariz maia. É louca, mas interessante para pensar sobre essa visão em que as pessoas se operam assim (estala dos dedos) só porque querem ter outro corpo. O corpo tem segredos, não está dominado, não se pode mudá-lo como se troca de celular. Quando interfiro no corpo, interfiro na mente. Aí estão as doenças psicosomáticas, doenças auto-imunes, pessoas destruindo a si mesmas. Um mistério do conhecimento. Mensagem corporal que não pôde ser transformada em linguagem. Um tema que me fascina e que venho estudando muito.

Fonte: O estado de São Paulo

sábado, 26 de junho de 2010

Falece Alberto Guzik


Por Adriano Costello
Na manhã de hoje, 26, recebi a noticia do falecimento de Alberto Guzik com muito pesar. Nos despedimos assim, de repente, desse grande "cara", grande artista. Não tivemos tempo de nos conhecermos mais.... "faltou o tempo nesse tempo corrido que vivemos..... Assim é o tempo!"  Siga em paz Guzik!

Os Satyros

Alberto Guzik, jornalista, ator, diretor, escritor, integrante da Cia.Os Satyros e amigo, acaba de nos deixar. Alberto se afastou dos palcos no dia 02 de fevereiro para iniciar uma batalha contra um cancêr. Nos últimos meses lutou com todas as forças contra a doença mas na manhã deste sábado, 26 de junho, faleceu. Como sempre, envolvido em inúmeros projetos, Guzik estava desde o segundo semestre do ano passado acompanhando o processo de Roberto Zucco, nova montagem dos Satyros que integraria o elenco. Seu último trabalho no grupo foi "O Monólogo da Velha Apresentadora", de Marcelo Mirisola.

Fonte: Satyros.uol.com.br

Conforme seu último texto no Blog "Os Dias e As Horas": Dionisos me acompanha na viagem, além de ótimos amigos e do amor de muita gente. Evoé".   

Evoé, Alberto!

Texto na íntegra:

"neste deslumbrante amanhecer, em plena segunda-feira de carnaval, embarco em minha viagem rumo à travessia do rio letes e à descida para o hades. quando voltar, relatarei o que vi e vivi. o hades não é um reino fácil de se visitar. ninguém retorna de lá sem estar transformado. sei disso. e prometo partilhar com os leitores destes dias e destas horas aquilo que vou vivenciar. dionisos me acompanha na viagem, além de ótimos amigos e do amor de muita gente. evoé."

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Reflexões Teatrais 7 - Meyerhold

(V. Meyerhold)

"Toda arte é organização de um material. Para organizar seu material, o ator deve ter uma reserva colossal de meios técnicos. A dificuldade e a especificidade da arte do ator residem no fato do ator ser ao mesmo tempo material e organizador. A arte do ator é coisa sutil. O ator é a cada instante compositor."

"Uma lei geral do teatro: aquele que se permite dar livre curso a seu temperamento no início do trabalho, este o dissipará infalivelmente antes do final do trabalho e sabotará toda a interpretação."

Vsevelod Meyerhold (1874-1940)
(Ator e diretor teatral russo, desenvolveu a Biomecanica)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Estandartes de regiões brasileiras

Estandartes religiosos feitos por artesãs brasileiras


(Estandarte de São João - Artista: Virginia/MG)

(Estandarte Sagrado coração - Artista: Maria Luiza F.Ávila)

(Estandarte a São Benedito - Artista: Cléo/SP)

(Estandarte N.S.Aparecida - Artista Plástica: Cristina Lunardi)


Fonte: Programa Sr. Brasil/TV Cultura

O Teatro Medieval II

Dramaturgia Medieval

No final da idade média e no começo do século XVI aparecem na Península Ibérica dois grandes dramaturgos que, sem sair da técnica teatral medieval, enchem-na de idéias novas, em parte já humanistas e renascentistas. La Celestina, de Fernando Rojas (?-1541), é antes um romance dialogado; obra de influência imensa na Europa de então. As peças de Gil Vicente guardam o caráter de representação para determinadas ocasiões, litúrgicas, palacianas e populares.

Autores medievais - No século XII, Jean Bodel é o autor do ''Jogo de Adam'' e do ''Jogo de Saint Nicolas''. Os miracles (milagres), como o de ''Notre-Dame'' (século XV), de Théophile Rutebeuf, contam a vida dos santos. E, nos mistérios, como o da ''Paixão'' (1450), de Arnoul Gréban, temas religiosos e profanos se misturam. A comédia é profana, entremeada de canções. ''O Jogo de Robin et de Marion'' (1272), de Adam de la Halle, é um dos precursores da ópera cômica.

Espaço cênico medieval - O interior das igrejas é usado inicialmente como teatro. Quando as peças tornam-se mais elaboradas e exigem mais espaço, passam para a praça em frente à igreja. Palcos largos dão credibilidade aos cenários extremamente simples. Uma porta simboliza a cidade; uma pequena elevação, uma montanha; uma boca de dragão, à esquerda, indica o inferno; e uma elevação, à direita, o paraíso. Surgem grupos populares que improvisam o palco em carroças e se deslocam de uma praça a outra.

CONTRIBUIÇÕES DO TEATRO DA IDADE MÉDIA

· Técnicas de encenações desenvolvidas pelos atores;
· Técnicas de cenário, iluminação e sonoplastia;
· Riqueza de figurino e maquiagem;
· Autos (ex.: de Natal, de Páscoa), representados até os dias de hoje.

Farsa
Era um quadro curto sobre uma cena cotidiana, caricaturada. Tinha a intenção de imitar a realidade, exagerando para torná-la mais sensível.
Muitas farsas podiam ser representadas por um só ator. Os temas eram grotescos e abusados: maridos corneados, espancamentos, roubos, etc.

Teatro Profano
O profano é a sátira ao divino. Associa-se em grande parte ao cômico. Não aparece como forma independente antes do século XIII, não se sabe de onde provém, aumenta sua influência quando a encenação sai da igreja. Nas praças e nas feiras, os jograis-mímicos profissionais exploram a literatura oral, recitam, cantam, executam monólogos dramáticos e mímicas dialogadas, imitando tipos (o louco, o bêbado, o tolo), tornando-se assim herdeiros e transmissores da antiga tradição latina. As companhias desta modalidade teatral buscavam a contravenção não só nos seus temas, mas também com a presença de mulheres em seu elenco e com maneiras diferentes de se apresentar: cantando, dançando e, às vezes, até se despindo.

MISTÉRIOS, MILAGRES E MORALIDADES

Mistério
Reconstituía passagens da Bíblia. Não se trata de um dogma no qual a Igreja se apóia, mas de histórias de Natal, Assunção, Ressurreição, etc.

No Mistério entrava tudo: o bom e o falso, o sério e o burlesco, o verídico e o lendário. Tinha como finalidade edificar a alma, mas também distrair o público, não havendo respeito à verossimilhança. Os papéis femininos eram representados por homens.

Sua apresentação, em seu apogeu, comovia uma cidade inteira, que pagava para assistir vários ciclos de
apresentações que duravam até quarenta dias para dar continuidade a uma história.

Foi o apogeu do teatro medieval quanto à perfeição dos meios empregados e a decadência quanto ao seu valor literário.

Estrutura do Espetáculo:

· Prólogo: explicação do que iria ocorrer;
· A peça em si: em versos (346 a 61.908 versos);
Não era dividida em atos e cenas, mas em jornadas, que podiam durar um dia inteiro, com pausa apenas para as refeições.

· Epílogo ou Prólogo final: que resumia os acontecimentos e convidava os espectadores a voltarem.

Não sobreviveu às guerras religiosas e à crise econômica. Outras causas de sua morte foram a ordem moral (o sarcasmo, a intimidade do divino com o profano) e a ordem técnica (não se adaptou aos novos tempos, sendo morto pelas idéias modernas).

Milagre
É uma peça de duração bem mais curta que o mistério. Baseado na vida dos santos. É a encenação de uma
intervenção de um santo ou da Virgem Maria. Produz-se geralmente em favor de uma personagem repugnante – sogra que matou o genro; religiosas que abandonam o convento, etc. A intenção é mostrar que não há crime, por maior que seja, que não possa ser redimido pelo fé.

O Milagre era estritamente ligado à religião, mas tratado livremente, comportando sempre um sermão encaixado no curso da ação. Era escrito em versos, variando seu comprimento de 1.000 a 3.000 versos.

Aproximadamente quarenta milagres chegaram aos nossos dias. Desapareceu no decorrer do século XVI, sendo conservado apenas na Espanha.

Moralidade
É um gênero ora grave ora alegre, que era representado mediante alegorias. Provam uma verdade de ordem moral, fazendo dialogar personagens alegóricos.
Tinha intenção didática: ensinar algo. Quando seu objetivo era religioso distinguiam-se dos mistérios porque
moralizavam em vez de contar.

Fontes Bibliográficas:
BERTHOLD, Margot. História Mundial do Teatro. São Paulo: Perspectiva, 2000.
Revista Tempo Brasileiro. Lígia Vassalo. Impresso nas Oficinas da Folha Carioca Editora LTDA, Janeiro-Março de 1983.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade

Na biblioteca pública, sento-me para ler alguns livros, à minha frente um livro aberto e abandonado me chama a atenção, tomo o livro e folheio algumas páginas..... pela primeira vez eu lia: Paulicéia Desvairada.

(Fragmento de Retrato de Mario de Andrade, por Lasar Segall)

"Os alicerces não devem cair mais!
Nada de subidas ou de verticais!
Amamos as chatezas horizontais!
Abatemos perobas de ramos desiguais!
Odiamos as matinadas arlequinais!"

***
"Para que cravos? Para que cruzes?
Universalizai-vos no senso comum!
Senti sentimentos de vossos pais e avós!
Para as almas sempre torresmos cerebrais!"

A Paulicéia de Mario de Andrade não tem um roteiro, um enredo. É tão única, e somente, brilhante poesia.

Paulicéia Desvairada foi publicada em 1922, e trazia as primeiras bases estéticas do Modernismo. Marcou ali, o rompimento definitivo de Mario de Andrade com todas as estruturas do passado.

Com sua linguagem simples e irreverente, a obra traz como musa a cidade de São Paulo. No seu protesto às correntes dominantes (a burguesia) e ao progresso provinciano da cidade, Mario utiliza-se de erros ortográficos propositalmente, e de uma "gargalhante ironia" com "versos de sofrimento e revolta", como ele mesmo dizia.

Suas poesias podem ser lidas como um inventário das vivências e percepções que Mario de Andrade teve com a  modernização de São Paulo, e com a qual teve uma relação ambígua ao longo de sua obra. "A cidade ora é tumba de homens massacrados pelas "monções da ambição", de bandeirantes ou de capitalistas, ora é palco de multicoloridos festejos."


"São Paulo! comoção da minha vida...
Os meus amores são flores feitas de original...
Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e Ouro...
Luz e bruma... Forno e inverno morno...
Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes...
Perfumes de Paria... Arys!
Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!
São Paulo! comoção de minha vida...
Galicismo a berrar nos desertos da América"

terça-feira, 22 de junho de 2010

Poesia: Homem não chora

De Rolando Boldrin


Hoje aqui, oiando pra vancê meu pai,
To me alembrando quanto tempo faz
Que pela primeira vez na vida, eu chorei.
Não foi quando nasci pru que sei que vim berrando...
E disso ninguém se alembra, não.
Foi quando um dia eu caí...levei um trupicão,
Eu era criança. Me esfolei, a perna me doeu,
Quis chora, oiei pra vancê, que esperança.
Vancê não correu pra do chão me alevanta.

Só me oiô e me falô:
---Que isso, rapaz ? Alevanta já daí...
HOMI NÃO CHORA.

Aquilo que vancê falô naquela hora,
Calou bem fundo,
pru que vancê era o maió homi do mundo.
Não sabia menti nem pra mim nem pra ninguém...
O tempo foi passando...cresci também...
Mas sempre me alembrando..

HOMI NÃO CHORA. Foi o que vancê falô.
O mundo foi me dando os solavanco,
Ia sentindo das pobreza os tranco...
Vendo as tristezas vorteá nossa famía,
E as vêiz as revorta que eu sentia era tanta,
Que me vinha um nó cego na garganta,
Uma vontade de gritá...berrá, chorá...mas quá..
Tuas palavra, pai, não me saía dos ouvido..
HOMI NÃO CHORA

Intão, mesmo sentido, eu tudo engolia
E segurava as lágrima que doía...
E elas não caía, nem com tamanho de
Quarqué uma dô...

Veio a guerra de 40...e eu tava lá...um homi feito,
Pronto pra defendê o Brasí.
Vancê e a mãe foram me acompanhá pra despedi.
A mãe, coitada, quando me abraçô, chorô de saluçá.
Mas, nóis dois, não.
Nóis só se oiêmo, se abracêmo e despedimo
Como dois HOMI. Sem chorá nem um pingo.
Ah, me alembro bem... era um dia de domingo.

Também quem é que pode esquecê daquele tempo ingrato ?
Fui pra guerra, briguei, berrei feito um cachorro do mato,
A guerra é coisa que martrata..
Fiquei ferido...\com sodade de vancês...escrevi carta
Sonhei, quase me desesperei, mas chora, memo que era bão
Nunca chorei...
Pruque eu sempre me alembrava daquilo que meu pai falô:
---HOMI NÃO CHORA.

Agora, vendo vancê aí...desse jeito...quieto..sem fala,
Inté com a barbinha rala, pru que não teve tempo de fazê..
Todo mundo im vorta, oiando e chorando pru vancê...
Eu quero me alembrá...quero segurá...quero maginá
Que nóis dois sempre cumbinemo de HOMI nÃO CHORÁ...quero maginá que um dia vancê vorta pra nossa casa
Pobre..e nóis vai podê de novo se vê ansim, pra converá
Intão vem vindo um desespero, que vai tomando conta..
A dô de vê vancê ansim é tanta...é tanta, pai,
Que me vorta aquele nó cego na garganta e uma lágrima
Teimosa quage cai..
Óio de novo prôs seus cabelo branco...e arguém me diz
Agora pra oiá pela úrtima vez..que ta na hora de vancê
Embarcá.

Passo a minha mão na sua testa que já não tem mais pensamento....e a dô que to sentindo aqui dentro,
Vai omentando...omentando, quage arrebentando
Os peito...e eu não vejo outro jeito senão me descurpá.
O sinhô pediu tanto pra móde eu não chora..HOMI NÃO CHORA...o sinhô cansô de me falá...mas, pai,
Vendo o sinhô ansim indo simbora...me descurpe, mas,
Tenho que chorá.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Teatro Medieval I

Introdução

O período da Idade Média ocorreu durante a desintegração do Império Romano no Ocidente, no século V (em 476 d. C.), e terminou com o fim do império, com a queda de Constantinopla, no século XV (em 1453 d.C.).

Este período entre os séculos V e XV d.C. também ficou conhecido como a “Idade das Trevas”, por causa da estagnação cultural da sociedade. A Igreja monopolizava toda e qualquer manifestação de pensamento, como por exemplo: a literatura, a filosofia, a ciência e as artes. O teatro era utilizado como instrumento da Igreja para arrebanhar fiéis e para catequizar o povo.

As peças eram de cunho religioso ou profano. Enquanto a igreja utiliza como instrumento de propaganda, grupos populares satirizavam o catequético, o Cristianismo. No entanto, utilizavam-se sempre do mesmo tema: a religiosidade.

O teatro medieval deriva do rito religioso (a missa cristã), do mesmo modo como, na Antiguidade, a tragédia grega. Ele se formou aos poucos, e surge da liturgia, isto é, da dramatização do texto da Bíblia lido durante o ofício divino.

"Os temas ficavam em torno da piedade e do temor a Deus, bem como pela imposição das regras e convenções de uma sociedade altamente normatizada."

As primeiras manifestações

As primeiras manifestações teatrais ocorreram na Plena Idade Média, seguidas de um grande florescimento na Baixa Idade Média. A sociedade feudal, rigidamente estratificada, compreende uma aristocracia, formada pela união da nobreza e do clero, e o “Terceiro Estado”, representado por servos e camponeses livres e, posteriormente, pela burguesia. No ápice do sistema de dominação encontra-se a Igreja Católica.

Para manter o statu quo a igreja descobre o teatro como fator capaz de disseminar sua ideologia de obediência e submissão aos valores estatuídos. Por esse motivo, o teatro é popular, dirige-se a todas as camadas do povo (e não à classe dominante), transformando-se no lugar privilegiado do desejo de ensinar inerente à arte medieval, presente no teatro religioso, no cômico e até na poesia narrativa, nos fabliaux. Mas, quando o clero não pode mais controlar as energias sociais que se lhe contrapõem e que se intrometem na representação teatral, ele proíbe então a representação dos mistérios (séc. XVI).

Na Alta Idade Média, a Igreja havia vetado igualmente, como manifestação pagã e fator de dissolução dos costumes, o remanescente teatro latino que já havia declinado com o final do Império Romano. O aparecimento do teatro religioso, no século XII, coincide com um ressurgimento dos clássicos latinos em alguns centros, como as escolas de Fleury-sur-Loire, em textos mais destinados à leitura do que à encenação. Porém antes disso, em torno do ano 1000, a freira saxã Hroswitha produz os primeiros dramas edificantes, onde mistura Teologia com Terêncio e Sêneca.

Naquele momento, dois conjuntos de manifestações culturais são muito desiguais e se desenvolvem, paralelamente,  correspondentes a dois tipos distintos de concepção do mundo. Por um lado, o universo religioso e, por outro, a cultura popular carnavalesca.

Esses dois campos vão se juntar na parte final da Idade Média. Mas, durante séculos, suas manifestações mantêm-se afastadas, ainda que correndo paralelas e sendo vivenciadas pelos mesmos homens. O medievo experimenta as duas sensações de mundo: a devoto-religiosa e a profano-carnavalesca. Ainda que o faça em momentos claramente diferenciados.

Vocabulário:
*Fleury-sur-Loire: Comunidade Francesa na região da Borgonha
*Fabliaux: História em quadrinhos, forte presença no nordeste da França, entre 1150 e 1400 d.C. Geralmente de naturezas picantes, muitos foram retrabalhados por Giovanni Boccaccio para o Decamerão.
*Statu quo: Estado em que se encontra./ A situação atual  Expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for.

Fontes de pesquisa:

sábado, 19 de junho de 2010

Homenagem a Saramago

Um grande escritor sem sombras de dúvidas. Independente de suas opiniões polêmicas sobre política e religião, Saramago foi um homem que soube através da escrita despertar o leitor a um novo universo de grandes romances, poesias e crônicas, com uma visão crítica e contemporânea.

Hoje, em seu velório, em frente a Camara Municipal de Lisboa (Portugal), fãs gritavam: "Os grandes escritores são imortais".  Saramago deixa um belo legado de livros brilhantes e um romance inacabado (o novo livro falaria sobre o tráfico de armas) e imprime seu nome na história ao lado de grandes escritores portugueses como: Almeida Garret, Eça de Queirós e Fernando Pessoa.

O diretor Fernando Meireles comentou a morte de Saramago: "...o mundo ficou mais burro e ainda mais cego sem Saramago..."

(Foto BBCBrasil - Arquivo)

Em 2008, Meireles levou às telas o livro "Ensaio Sobre a Cegueira" de Saramago, que segundo o diretor, após assistir o filme, Saramago se emocionou e disse: “Fernando, estou tão feliz por ter visto esse filme... Como estava quando acabei de escrever o livro”, disse.

Em entrevista para a BBC Brasil Meirelles declarou:  "Saramago era um homem lógico, dizia que a morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e já não estar mais. Combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão", disse.

"Mesmo assim, não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui", acrescentou Meireles.

- Biografia

José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não perfizera três anos de idade. Toda a sua vida tem decorrido na capital, embora até ao princípio da idade madura tivessem sido numerosas e às vezes prolongadas as suas estadas na aldeia natal. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades económicas.

No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance ("Terra do Pecado"), em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova".

Em 1972 e 1973 fez parte da redação do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do "Diário de Notícias". Desde 1976 vive exclusivamente do seu trabalho literário.


Obras Publicadas:

Poesia

*Os Poemas Possíveis, 1966
*Provavelmente Alegria, 1970
*O Ano de 1993, 1975

Crônica

*Deste Mundo e do Outro, 1971
*A Bagagem do Viajante, 1973
*As Opiniões que o DL teve, 1974
*Os Apontamentos, 1976

Diário

*Cadernos de Lanzarote I, 1994
*Cadernos de Lanzarote II, 1995
*Cadernos de Lanzarote III, 1996
*Cadernos de Lanzarote IV

Viagem

*Viagem a Portugal, 1981

Teatro

*A Noite, 1979
*Que Farei Com Este Livro?, 1980
*A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
*In Nomine Dei, 1993

Conto

*Objecto Quase, 1978
*Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979

Romance

*Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
*Levantado do Chão, 1980
*Memorial do Convento, 1982
*O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
*A Jangada de Pedra, 1986
*História do Cerco de Lisboa, 1989
*O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
*Ensaio sobre a Cegueira, 1995
*Terra do Pecado
*Todos os Nomes

As obras de José Saramago encontram-se publicadas nos seguintes países: Espanha (Castelhano e Catalão), França, Itália, Reino Unido, Holanda, Alemanha (Edições na RDA e na RFA), Grécia , Brasil, Bulgária, Polónia, Cuba, União Soviética (Russo), Checoslováquia (Checo e Eslovaco), Dinamarca, Israel, Noruega, Roménia, Suécia, Finlândia, Estados Unidos, Japão, Hungria, Suíça, Argentina, Colômbia, México.

O seu romance "Memorial do Convento" foi adaptado para a Ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título "Blimunda".

A peça de teatro "In Nomine Dei" foi adaptada para a Ópera por Azio Corghi, com o título "Divara".


Fontes:
Entrevista Fernando Meirelles: BBC Brasil
Biografia e Obras Publicadas: http://www.caleida.pt/saramago/ 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Fazendo o Videobook

A grande dúvida de todo jovem ator é saber qual a melhor forma de se fazer um videobook. O intuito deste artigo é esclarecer algumas dúvidas e dar algumas dicas aos que se sentem perdidos em relação a este importante material de divulgação.

Na verdade não existe uma única forma de se fazer um bom vídeobook, mas existem alguns cuidados que todo artista deve ter na hora de produzir o que será a sua apresentação para produtores de elenco:

Duração: Use no máximo dois textos de dois minutos cada, não mais que isso. Os produtores tem dezenas de vídeos de outros artistas para assistir, então não exagere no tempo. Um longametragem os deixará entediados e seu video será descartado de cara.

Texto: Escolha um (ou dois) texto com o qual se identifique: deve-se ter cuidado para não escolher algo exageradamente "dramático" com choro incessante, gritos, etc. - Se rasgar inteiro só vai mostrar que você tem algum problema emocional. - O ideal é fazer algo claro e objetivo onde seu rosto e sua voz apareçam sem truques. Atenção: Não use cenas de peças que você fez. Os produtores querem ver você atuando pra eles. Caso se sinta mais seguro, escolha uma cena para ser feita com um amigo, ao invés de um monólogo. Mas não esqueça, você é o objetivo do video. (A escolha do texto é pessoal, retire trechos de peças, contos ou filmes)

Roupa: Use algo básico, de bom gosto, que não tire a atenção do texto e interpretação, e que não se confunda com o "pano de fundo" do estúdio.

Maquiagem: Mulheres: Básica. Homens: Básica ou só um pó para tirar o brilho e diminuir as olheiras.Não carregue demais, deixe natural.

Capa do DVD: Não há regra. O ideal é ter seu nome, contatos (e-mail e telefone) e, se optar em colocar fotos, no máximo duas fotos profissionais. Com fotos ou sem, o importante é a informação e qualidade do acabamento final.

Montagem de Slides: Se além da "cena filmada" você optar em fazer um slide de fotos e trechos de vídeos, prefira material profissional: fotos e vídeos amadores ou de baixa qualidade podem prejudicar ao invés de enriquecer o seu videobook. Só use foto/video de TV ou publicidade onde você realmente possa ser visto. "Só as mãos não valem!"

Colocar Vídeo no Youtube: A critério de cada um. Muitas agências solicitam links com vídeos no youtube, no entanto, não é obrigatório e nem tão pouco eliminam alguém de uma seleção. A sua vontade e privacidade devem estar em primeiro lugar sempre. Uma melhor opção é entregar o videobook pessoalmente às emissoras e agências.

Com a exigência de agências de publicidade e emissoras de TV, esse mercado de "videobook" é cada vez mais crescente, e, consequentemente, surgem a cada dia inumeros pestadores deste serviço que deve ser feito com cuidado e com privacidade. O ideal é procurar profissionais recomendados por amigos, parentes e conhecidos para evitar aborrecimentos e frustrações futuras.

Segundo o ator Gustavo Haddad, que há algum tempo vem produzindo videobooks e filmagens de espetáculos, os preços variam de acordo com a produção que o artista deseja. Ele explica que um videobook pode custar de R$300,00 numa produção mais simples, até uma superprodução em torno de R$3.000.00. Gustavo, usa sua experiência na tv para dirigir e produzir os videos que faz: "...nos estúdios sempre ficava por detrás das cameras assistindo as cenas, vendo a direção, o enquadramento, etc..."

É isso! Para se fazer um bom vídeobook escolha alguns textos, leia com amigos, e consulte pessoas mais experientes, elas podem ter dicas valiosas.

Boa sorte!

Por Adriano Costello

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Reflexões Teatrais 6 - Kazuo Ohno


"A minha dança é a reza para a vida. O que me faz dançar é o sofrimento que carrego dentro do meu coração. A vida e a morte são inseparáveis, estão juntas dentro de mim enquanto eu danço, a vida é a reza,  a fé e a dança é também a mesma coisa."

"A dança não se ensina. Ela está dentro de cada um de nós. Primeiro tem que analisar sua vida. Quando entender sua própria vivência, surgirá sua própria dança."

Kazuo Ohno
(Dançarino e coreógrafo japonês/Mestre da dança Butô - 1906 à 2010)

Entrevista: Zé Celso Martinez Corrêa

(Zé Celso ensaiando a peça Taniko - Foto de divulgação)

José Celso Martinez

Por *Elisa Duarte/Revista Contigo!

O diretor começou a ser visto como referência teatral após o espetáculo O Rei da Vela (1967), de Oswald de Andrade, considerado uma das montagens mais inovadoras do diretor pelos acessórios, cenário e músicas.

Quais as bases para uma pessoa permanecer na carreira de teatro e perseverar na profissão de ator? Há um caminho a seguir?

Não há caminho certo. Ao contrário, é preciso inventar caminhos, impulsionado pelos teus desejos mais secretos, mais proibidos, considerados ''errados'', tabus pela maioria do rebanho. Mas o teatro você faz com outros, não é uma arte solitária. Você precisa comungar, comer e ser comido por pessoas que, por coincidência milagrosa no tempo, você encontra, que queiram partir contigo, na busca de dar pelo teatro mais vida às suas vidas e à vida de todo mundo: o público do seu tempo. É como encontrar muitos amantes, encontrar os parceiros de jogo desta orgia que é o teatro. Para permanecer nesta "roça", é preciso ser antes de tudo "um forte", pois você vai ter que dia a dia, noite a noite, conquistar tua permanência sambando na corda bamba da fatalidade, que são as transformações permanentes da vida e da morte. Estar plugado sempre em todo mundo, mas ir mais além no risco, na beleza, com ginga na arte de teatro, que é a mesma que a de amar e a de viver.

Qual o princípio básico de um ator? O que ele deve desejar em primeiro lugar?

Ator é o que age, atua em si mesmo, no outro, na matéria do mundo. O ator não ''deve'' nada, ele tem é de assumir seu poder humano, o poder do seu corpo, que é quem sabe o que ele, corpo, quer desejar. Atuar é desejar outros corpos do mundo, além das máscaras profissionais, da idade, de classe, dos armários, enfim, além do bem e do mal. Teu próprio desejo vai descobrir - no espelho do desejo dos outros você vai escolher como companhia através da poesia do teatro de hoje e do mais antigo.

Como prepara seus atores?

Preparando-me para merecer encontrar atores. Atuando sobre a coragem do meu instinto para entrar em sintonia com os que mexem comigo, isto é, que atuam comigo. É como o namoro. É difícil explicar por que você ama umas pessoas e não outras. Os atores e atrizes revelam-se como enamorados. A arte do teatro não é diferente da arte da paixão, de produzir e adorar a beleza, da arte de viver intensamente, enfim. Não há coisa mais deliciosa do que a vida de artista, mas custa muito caro. Precisa de muito instinto e felicidade guerreira.

O que pensa grande número de pessoas que buscam a carreira de ator apenas para ficarem famosas?

A arte do ator é a da interpretação da vida a partir do seu corpo, em contato com tudo e todos pelos seus sentidos. O ator que se vende para tornar-se celebridade, ter fama, ficar rico, ter prestígio social, sacrifica muitas vezes sua arte, que é a de interpretar-se e passa a ser interpretado pelos marqueteiros do ibope. Claro que o ator quer e merece ser reconhecido, é justíssimo, mas os que têm o que dizer ao mundo são mais ambiciosos, querem mais que ser celebridade, querem ser eternos, imortais na sua total mortalidade. Estes deixam vestígio de sua passagem no mundo, tatuam o coração da condição humana.


*Fonte: Revista contigo!

Mestre Kazuo Ohno - Morre o mestre do butoh


Conhecido mundialmente como o pai da dança Butoh, o dançarino japonês Kazuo Ohno morreu nesta terça-feira (01/06), em Yokohama, no Japão, aos 103 anos.


Junto de Tatsumi Hijikata (morto em 1986) Ohno foi um dos criadores do butoh (butô), estilo de dança moderna que inclui teatro em suas apresentações.

Vindo de um estilo chamado por Hijikata “ankoku butô” (“dança das trevas”, em japonês), o butô se caracteriza pela pintura corporal branca usada pelos dançarinos e pelos movimentos extremamente lentos.

Nascido na ilha de Hokkaido em 1906, Ohno só começou a dançar em 1933, quando entrou para o estúdio de Baku Ishii, influenciado pela dançarina de flamenco La Argentina – a quem homenageou anos mais tarde.

A influência de Ohno na cultura foi além da dança - e ele chegou a ser capa do disco “The crying light”, do grupo norte-americano Anthony & The Johsons.

Fonte:G1.com.br

Saiba mais sobre Kazuo Ohno: http://pt.wikipedia.org/wiki/Kazuo_Ohno