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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Movimentos Culturais - Naturalismo

O Naturalismo é um movimento conhecido por ser a radicalização do Realismo, baseando-se na observação fiel da realidade e na experiência, mostrando que o indivíduo é determinado pelo ambiente que vive e pela hereditariedade. A escola naturalista esboçou o que pode se declarar como os primeiros passos do pensamento teórico evolucionista de Charles Darwin.
 
Tendência das artes plásticas, da literatura e do teatro o naturalismo surgiu na França, na segunda metade do século XIX.
 
Influenciados pelo "Positivismo" e pela "Teoria da Evolução das Espécies", os naturalistas apresentam a realidade com rigor quase científico. Objetividade, imparcialidade, materialismo e determinismo são as bases de sua visão de mundo.
 
Características do naturalismo existem na França desde 1840, mas é em 1880 que o escritor Èmile Zola (1840-1902) reúne os princípios da tendência em seu ensaio O Romance Experimental
 
- Em 1857, no mesmo ano em que no Brasil surgia O Guarani, de José de Alencar, na França foi publicado Madame Bovary, de Gustave Flaubert, considerado o primeiro romance realista da literatura universal.
 
- Em 1867, Èmile Zola publica Thérèse Raquin, inaugurando o romance naturalista.
 
(Emile Zola é considerado o idealizador e maior representante da literatura naturalista mundial. Foi muito influenciado pelo evolucionismo e pelo socialismo. Sua principal obra foi O Germinal (1885), onde aborda a realidade social nas minas de extração de carvão. Para escrever esta obra, Zola viveu com uma família de mineiros para sentir na pele a dura vida destes trabalhadores.)
 
Limites entre Realismo e Naturalismo
 
É muito comum o emprego dos termos Realismo e Naturalismo associados. Algumas vezes, são termos sinônimos, outras vezes aparecem como duas estéticas literárias muito próximas uma da outra. No entanto, existe uma fronteira entre ambas.
 
Enquanto o Realismo retrata o homem interagindo com o seu meio social, o  Naturalismo mostra o homem como um 'produto de forças naturais', instintivas, desenvolvendo temas voltados para a análise do comportamento patológico do homem (Ex: suas taras sexuais, seu lado animalesco).
 
 
Definição do naturalismo
 
Segundo o Naturalismo, o homem é desprovido  do livre-arbítrio, ou seja, o homem é uma 'máquina' guiada por vários fatores: leis físicas e químicas, hereditariedade e meio social, estando sempre à mercê  de forças que nem sempre consegue controlar. Para os naturalistas o homem é um brinquedo nas mãos do destino e deve ser estudado cientificamente.
 
Naturalismo no Brasil
 
 
Este movimento chegou ao Brasil no final do século XIX. Os escritores brasileiros abordaram a realidade social brasileira, destacando a vida nos cortiços, o preconceito, a diferenciação social, entre outros temas. O principal representante do naturalismo na literatura brasileira foi Aluísio de Azevedo.
 


Aluísio de Azevedo foi o grande representante do Naturalismo brasileiro. Para ele o homem era fruto dos elementos biológicos (raça) e das circunstancias do tempo e do meio em que vivia. Para o público escrevia romances românticos, chamados por ele de "comerciais" e também escrevia romances naturalistas, chamados de "artísticos".
Suas principais obras foram: O Mulato, Casa de Pensão e O Cortiço.
 

Outros escritores brasileiros que merecem destaque: Adolfo Caminha, Inglês de Souza e Raul Pompéia
 
Características do Naturalismo
 
- O mundo pode ser explicado através das forças da natureza;

- O ser humano está condicionado às suas características biológicas (hereditariedade) e ao meio social em que vive;

- Forte influência do evolucionismo de Charles Darwin;
 
- A realidade é mostrada através de uma forma científica (influência do positivismo);

- Nas artes plásticas, por exemplo, os pintores enfatizam cenas do mundo real em suas obras. Pitavam aquilo que observavam;

- Na literatura, ocorre muito o uso de descrições de ambientes e de pessoas;

- Ainda na literatura, a linguagem é coloquial;

- Os principais temas abordados nas obras literárias naturalistas são: desejos humanos, instintos, loucura, violência, traição, miséria, exploração social, etc.

Pesquisador: Adriano Costello

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Semana de Arte Moderna

Há exatos 90 anos (em 1922), o Theatro Municipal de São Paulo acolheu a Semana de Arte Moderna, considerada um divisor de águas na produção artística brasileira.

A Semana consistiu em uma exposição, instalada no saguão do Municipal, entre os dias 13 e 18 de fevereiro, e sessões de leituras de poemas, audiências musicais e conferências, realizadas no palco do Theatro nas noites dos dias 13 e 17 e na tarde do dia  15. De segunda a sábado, o público pôde apreciar o que havia de mais inovador na produção artística brasileira naquele momento. A exposição reunia esculturas em bronze, mármore e madeira, desenhos arquitetônicos e maquetes, aquarelas, óleos e colagens. Entre os escultores, estavam o ítalo-brasileiro Victor Brecheret, o carioca Hildegardo Leão Veloso e o alemão Willhelm Haarberg, Antonio Garcia Moya, d eorigem espanhola, e Georg Przyrembel, arquiteto polonês radicado em são Paulo desde  os anos 1910, apresentaram projetos arquitetõnicos de residencias, templos, túmulos e monumentos. Os artistas Ferrignac, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Regina e John Graz, Vicente Rego Monteiro, Martins ribeiro, Zina alta e Yan de Almeida Prado participaram com gravuras, pinturas e desenhos. 

Do festival literário e musical, tomaram parte Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Antonio de Alcântara Machado, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Sergio Millet, Graça Aranha, Heitor Villa Lobos e Guiomar Novaes, entre outros.

A ideia de se realizar um festival de arte moderna teria nascido das conversas entre poetas , escritores, jornalistas e artistas plásticos, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade,  Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Di Cavalcanti e Anita Malfatti, apoiados moral e financeiramente pelo escritor e diplomata Graça Aranha. O grupo era animado pelo desejo de escandalizar a burguesia paulistana e tudo aquilo que considerava retrógrado e ultrapassado, quebrar paradigmas e mudar a mentalidade em relação à arte.

A cidade de São Paulo vivia um surto industrial e um intenso movimento de urbanização. A forte presença de imigrantes europeus na composição da população dava à cidade características especiais e ares de metrópole. sobre os idealizadores da Semana, era inegável a influência do "futurismo" de Fillipo Marinetti e sua proposta de rejeição ao moralismo e ao passado, apostando numa estética baseada no progresso e no avanço da tecnologia. A nova estética proposta pelos participantes da Semana de 22 valorizava elementos da formação nacional e da vida urbana, com seu ritmo acelerado e fugaz. A ideia da "antropofagia" se criou nesse momento, com o desafio de assimilar a contribuição do estrangeiro sem copiá-la, transformando-a em coisa tipicamente brasileira.

Encerrada a Semana de 22, coube aos modernistas construir uma obra baseada nos conceitos que defendiam. Seu legado influenciou outras gerações de artistas brasileiros nas décadas seguintes, não apenas na literatura e na música. em São Paulo, berço da Semana, esse legado ainda está nas ruas e parques, seja nas construções projetadas por arquitetos como Gregori Warchavchik e Oscar Niemeyer, seja nas esculturas públicas de Brecheret, das quais o Monumento às Bandeiras é uma das mais emblemáticas.

Fonte: Depto de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Movimentos Culturais - REALISMO

O REALISMO

Na segunda metade do século XIX, o realismo surge em reação ao romantismo, e dá preferência a histórias contemporâneas, com problemas reais de personagens comuns. A partir de 1870, por influência do naturalismo - que vê o homem como fruto das pressões biológicas e sociais -  os dramaturgos mostram personagens condicionados pela hereditariedade e pelo meio que se vive.

Economicamente, vivia-se a segunda fase da Revolução Industrial, período marcado pelo clima de euforia e progresso material que a burguesia industrial experimentava em virtude das inúmeras invenções possibilitadas pelas descobertas científicas e tecnológicas.

No ambito cientifico e cultural, ocorre uma verdadeira efervescencia de idéias considerada por alguns como uma segunda etapa do iluminismo - século XVIII.

Dentre essas idéias, surgidas como consequ~encia do aparecimento de várias correntes científicas e e filosóficas, têm destaque:

Positivismo, de Auguste Comte. Para o qual o único conhecimento válido é o conhecimento positivo, ou seja, provindo das ciências;

Determinismo, Hippolyte Taine, que defende que o comportamento do ser humano é determinado por três fatores: o meio, a herança (cultural, social, biológica) e o momento histórico.


Lei da seleção natural, de Charles Darwin, segundo qual a natureza ou o meio selecionam entre os seres vivos as variações que estão destinadas a sobreviver e a perpetuar-se, sendo eliminados os mais fracos.

Os escritores, diante desse quadro  de mudança de idéias e da sociedade, sentem a necessidade de criar uma literatura sintonizada com a nova realidade, capaz de abordá-la de modo mais objetivo e realista do que até então vinha fazendo o Romantismo.

Ao lado do realismo surge ainda as correntes literárias denominadas "Naturalismo" e "Parnasianismo", de pequena penetração em Portugal. A primeira, que consiste na verdade em uma forma extremada de realismo, procura "provar" com romances de tese as teorias científicas da época, particularmente o determinismo. O Parnasianismo por sua vez é uma corrente que combate os exageros de sentimentos e de imaginação do Romantismo e tenta resgatar certos princípios clássicos de procedimentos. Como a busca do equilíbrio, da perfeição formal e o emprego da razão e da objetividade.

Os três movimentos tiveram ciclo na França, com a publicação do romance realista "Madame Bovary" (1857), de Gustave Flaubert; do romance naturalista "Thérèse Raquin", de Emile Zola (1867), e das antologias parnasianas "Le Parnasse Contemporain" (a partir de 1866).



Definição:

Realismo: movimento artístico cultural que surge na segunda metade do século XIX na Europa, influenciado pelas transformações que ali se operavam no âmbito econômico, político, social e científico. E em reação ao "Romantismo", desenvolvendo-se baseado na observação da realidade, na razão e na ciência. Surge em meio ao  fracasso da Revolução Francesa e de seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. A sociedade se dividia entre as classes Operária e a Burguesia.
As corrente filosóficas se destacam: o Positivismo, Determinismo, Evolucionismo e Marxismo.

Emile Zola
Contudo, o pensamento filosófico mais influente para o realismo é o Positivismo, que analisa a realidade das observações e das constatações.


CARACTERÍSTICAS REALISTAS

Reprodução da realidade; Compromisso com a verdade (o autor é imparcial); Personagens baseados em indivíduos comuns (não idealização da figura humana); As condições sociais e culturais são expostas; Lei da casualidade (toda ação tem uma reação); Abordagem de temas sociais; Linguagem de fácil entendimento, e Exposição do presente (contemporaneidade).
Autores Realistas

Numa fase de transição, "Tosca" de Victorien Sardou, "O copo d'água" de Eugène Scribe, ou mesmo "A dama das camélias" de Alexandre Dumas Filho, já têm ambientação moderna. Mas os personagens ainda têm comportamento titpicamente "romântico".

Na fase claramente Realista o dinamarquês Henry Ibsen discute a situação social da mulher (Casa de bonecas), a sordidez dos interesses comerciais, a desonestidade administrativa e a hipocrisia burguesa (Um inimigo do povo). 

Na Russia Nicolai Gógol (O inspetor Geral) satiriza a corrupção e  o emperramento burocrático; Anton Tchekhov (O jardim das cerejeiras) e Alksandr Ostrovski (A tempestade) retratam o ambiente provinciano e a passividade dos indivíduos diante da rotina do cotidiano; e em "Ralé" e os "Pequenos Burgueses", Maxim Gorki mostra a escória da sociedade, debatendo-se com a pobreza, e a classe média devorada pelo tédio.

Pesquisador: Adriano Costello