quarta-feira, 30 de junho de 2010

Morre ator Torgeir Wethal do Odin Teatret

No domingo, 27 de junho, faleceu um dos importantes nomes do teatro Odin. Ao lado de Eugenio Barba e Riszard Cieslak, Torgeir trabalhou incansável para novas diretrizes e treinamentos que influenciaram atores no mundo inteiro.
O funeral do ator e diretor do Odin Teatret será realizado no sábado, 3 de julho,  às 14h na capela Egekirkegården, Holstebro, Dinamarca.



Abaixo, a carta escrita por Eugenio Barba - amigo e mestre-, falando da morte do ator, publicada no site do Odin Teatret:

"Querido amigo,

Te escrevo em nome de todo Odin Teatret.

No domingo, 27 de junho às 7:45 da manhã, faleceu Torgeir Wethal. O conheci quando tinha apenas 17 anos em 1964 e juntos fundamos em Oslo, na Noruega, o Odin Teatret. Torgeir esperava fazer 18 anos para poder ingressar na escola teatral, mas nunca deixou de acreditar e permanecer-se leal ao grupo, que no começo, parecia um projeto amador, passageiro.

Durante os 46 anos de atividade Torgeir tornou-se ator, diretor teatral e de cinema, sempre em nosso grupo. Seu filme com Ryszard Cieslak sobre o treinamento é um testemunho único da força da inovação desta prática redescoberta por Grotowski. Seu filme sobre treinamento, os espetáculos, as viagens e as trocas do Odin mostram pontos marcantes de um grupo que delineou novos campos para a ação teatral. Participou em todos os espetáculos do Odin, inclusive como assistente de direção. Até maio de 2010, apesar de estar debilitado por causa da doença, trabalhou em todos os ensaios do novo espetáculo do Odin, “The Chronic Life” ( A vida crônica).

Em novembro de 2009 foi diagnosticado um tumor maligno no pulmão, que se espalhou rapidamente. Queremos dar esta notícia a você que não o conhecia. Para você que o conheceu, é um fragmento da sua vida que te disse adeus."

Eugenio Barba
(Tradução: Adriano Costello)

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(Em espanhol)
Querido amigo,
Te escribo en nombre de todo el Odin Teatret.

El domingo 27 de junio a las 7.45 de la mañana falleció Torgeir Wethal. Lo conocí cuando tenía apenas 17 años en 1964 y juntos fundamos en Oslo, en Noruega, el Odin Teatret. Estaba por cumplir dieciocho años para poder ingresar en la escuela teatral, pero no dudó de creer y permanecer leal al grupo que al comienzo parecía un proyecto diletante pasajero.

Durante estos 46 años de actividad Torgeir se vuelve actor, director teatral y cinematográfico, siempre en nuestro grupo. Su film con Ryszard Cieslak sobre el training es un testimonio único de la fuerza de innovación de esta práctica redescubierta por Grotowski. Su film sobre el training, los espectáculos, los viajes y trueques del Odin muestran los puntos sobresalientes de un grupo que ha delineado nuevos campos de acción teatral. Ha participado en todos los espectáculos del Odin, incluso como asistente de dirección. Hasta mayo del 2010, a pesar de estar debilitado por la enfermedad, ha trabajado en los ensayos del nuevo espectáculo del Odin, La vida crónica.

En noviembre del 2009 le diagnosticaron un tumor maligno en el pulmón, que se diseminó rápidamente. Queremos darte esta noticia a ti que no lo conocías. Para ti que lo has conocido es un fragmento de tu vida que te dice adiós.

Eugenio Barba

terça-feira, 29 de junho de 2010

Teatro Cultura Artística

A partir desta terça, 29, o Teatro Cultura Artística ganha um retrato visual da sua restauração na região central de São Paulo. Os tapumes da sua reforma serão transformados em painéis de fotos e vídeos que relembram sua história desde a inauguração em março de 1950 até o incendio que destruiu o teatro em 2008.

A obra principal da exposição é o painel Alegoria das Artes, do pintor brasileiro Di Cavalcanti e instalado na fachada do Cultura Artística. É aliás, o maior painel do artista (48 x 8 mt) e que  resistiu ao incêndio de 2008, passando por recente restauração.

A mostra exibirá fotos que ilustram o significado do painel nas obras do artista e no movimento modernista. Em seguida, televisores de LCD serão instalados e apresentarão documentários sobre o teatro e o painel, e o processo de restauração do painel.

A exposição estará disponível à todos que passarem pela calçada do Teatro Cultura Artística, na Rua Nestor Pestana, 196. Funcionando todos os dias das 9h às 17h.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Gil Vicente: A Farsa de Inês Pereira

No teatro medieval uma das mais famosas peças, representadas com sucesso até hoje, foi escrita por Gil Vicente...

Gil Vicente e A Farsa de Inês Pereira

Considerado o Pai  do teatro português, Gil Vicente nasceu em Guimarães (?) e viveu por volta de 1465 até provavelmente, 1536.

“A Farsa de Inês Pereira foi representada em 1523, inspirada no provérbio "mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube".

Inês era uma jovem cansada dos trabalhos domésticos e que procurava ansiosamente por um bom casamento. Seu primeiro pretendente foi Pero Marques, um lavrador rico e honrado, porém muito tosco para atender os desejos da jovem, que sempre sonhara com um marido galante e refinado.  Inês, finalmente, casa-se com o escudeiro Brás da Mata, que lhe é indicado por dois judeus casamenteiros, Latão e Vidal.

No início era galanteador e afável, após o casamento revela-se um marido tirano, daqueles que tranca a esposa em casa e coloca-a sob a vigilância dos empregados. Pouco depois do casamento, Brás vai para uma batalha no Norte da África, atingido pelas costas por um pastor mouro quando fugia, morre e Inês fica viúva. Agora, viúva e experiente, Inês resolve aceitar como marido o antigo pretendente Pero Marques.  Resolve também iniciar uma vida de festas para compensar o tempo que passara com o escudeiro como: ao dar esmola a um ermitão, reconhece nele a figura de um ex-namorado e marca com ele um encontro.

A peça teatral termina com Pero Marques conduzindo Inês nas costas até o local onde ela deveria encontrar-se com o amante.

A temática da peça está profundamente ligada à realidade vivida pela sociedade portuguesa da época de Gil Vicente como: o desejo de ascensão social da pequena burguesia, que vê no casamento numa forma de consegui-la, o oportunismo, o desprezo pela vida camponesa e o prestígio das maneiras cortesãs, a ignorância do rústico, embora rico a figura do camponês e sua ingenuidade, além da falta de escrúpulos que é o auge da peça.”

Personagens:
Inês Pereira: jovem esperta que se aborrece com o trabalho doméstico. Deseja ter liberdade e se divertir. Sonha casar-se com um marido que queira também aproveitar a vida.
Mãe de Inês: mulher de boa condição econômica, que sonha casar Inês com um homem de posses.
Leonor Vaz: fofoqueira, encarregava-se normalmente em arranjar casamentos e encontros amorosos.
Pero Marques: primeiro pretendente de Inês rejeitado por ser grosseiro e simplório, apesar da boa condição financeira. Foi seu segundo marido.
Latão e Vidal: judeus casamenteiros, assim como Leonor.
Brás da Mata: escudeiro, índole má, primeiro marido de Inês.
Moço: criado de Brás.
Ermitão: antigo pretendente de Inês e amante depois de seu casamento com Pero.
Fernando e Luzia: amigos e vizinhos da mãe de Inês.

domingo, 27 de junho de 2010

Entrevista: Marco Antonio de La Parra

* A entrevista que segue é uma das poucas já feitas pelo escritor chileno, e foi realizada por Beth Néspoli, do Jornal O Estado de São Paulo, em 28 de abril de 2007.

Um chileno com olhos de Chekhov

Durante oficina na Faap, Marco Antonio de la Parra discorre sobre coisas ´aparentemente irrelevantes´, mas, para o dramaturgo, é so ´teatralidade menor´

Entrevista
SÃO PAULO - Marco Antonio de la Parra recebe a reportagem do Estado no saguão do Teatro Faap na terça-feira seguinte ao fim de semana da estréia de sua peça O Continente Negro . Está ali para ministrar uma oficina de dramaturgia. Permite que se acompanhe o segundo dia de trabalho, mas avisa à repórter e ao fotógrafo: “Vocês podem entrar, mas nenhuma palavra, silêncio.” E explica como será o trabalho.

Na véspera, o primeiro dos três dias de duração da oficina, ele pedira a todos os participantes que escrevessem em folhas separadas duas cenas distintas: uma bem banal, outra trágica. “Ações simples, por exemplo, ela vai até a janela. Importante que sejam no presente e sem identificação do autor, em letra de imprensa.” Ao fim do dia, os papéis foram misturados. Cada um recebeu duas cenas diferentes, escritas por outros. O dever de casa para o dia seguinte: trazer para a sala objetos variados para criar as cenas recebidas. “Sem palavras, hoje quero apenas imagens. Amanhã será o dia de juntar tudo. Aí teremos um pequeno festival de cenas curtas.”

Na sala já esperam alguns participantes, entre eles Yara de Novaes e André Cortez, respectivamente atriz e cenógrafo de O Continente Negro, e Fernanda Almeida, operadora de luz de BR3 do Teatro da Vertigem. Mochilas, bolsas, um tripé de máquina fotográfica, gravadores, bonecos, panos, muitos são os objetos espalhados.

Desde a primeira criação, justamente de Fernanda, aparecem elementos como rituais, cânticos e velas. Essas vão aparecer outras vezes, assim como crianças abandonadas ou violadas, corpos mutilados, cidades congestionadas e violentas. “Em certas oficinas, além da cena banal e trágica, peço um mito. Não pedi aqui e nem seria preciso - o elemento religioso apareceu com força”, observou la Parra, ao fim do dia.

Houve uma tendência ao figurativo e uma profusão de imagens. E você, claramente, pedia síntese e sugestão. É sempre assim?

Houve uma tendência ao barroco. Isso varia. Na Cidade do México, no primeiro dia foi terrível, muitas imagens, mas as sínteses, no último dia, foram muito fortes. Na Argentina, são sintéticos nas imagens, mas não nas palavras, o texto comanda. Em Monterrey, no México, dei uma oficina em que a síntese predominou, mas porque havia muitos artistas de teatro de bonecos. Na Espanha são tímidos, se soltam pouco. Eu prefiro que se soltem, sejam barrocos, porque quando chegamos à síntese, ela é mais forte. Isso certamente vai acontecer amanhã.

Havia ainda a dificuldade em mudar o ponto de vista. Se um bonequinho era colocado sobre uma mesa, a tendência era sempre olhá-lo de frente, por mais que você falasse: olhem por vários ângulos.

Sim, por exemplo, foi construída essa imensa cidade, cheia de bonecos e ruas feitas de sal. Seria mais interessante tirar todos os bonecos e apenas caminhar pelas ruas. Tentei, mas isso não aconteceu. É difícil romper a Gestalt. Há mais um agravante. O material trabalhado aqui é muito doloroso, porque pedi experiência pessoal. Apareceu muito abuso infantil, perda de inocência, violência interconjugal. E o elemento religioso, muitas velas.

Sempre que se trabalha sobre o pessoal, a tendência é aparecer primeiro o mais óbvio, o senso comum. No entanto, o trabalho artístico é justamente fugir dele, não?

Sim, mas há um momento em que temos de ver quais lugares-comuns vamos visitar. Porque o trabalho artístico passa pelos lugares-comuns. Não se pode evitar. É preciso reconhecê-los. Chekhov os visitava. Em O Continente Negro, visito os lugares-comuns.

Escrevi trabalhando com três atores de televisão muito conhecidos. Depois quis que os dirigisse uma mulher, porque é uma obra muito feminina. Queríamos fazer realismo, mas não televisão. Então, o primeiro trabalho foi cortar as cenas que a TV usaria. As dramáticas, as intensas, aquelas que todo mundo entenderia o que estava acontecendo. E deixamos as cenas de sobra, o que iria para o lixo. A peça é feita de pedaços de telenovela. Faltam 50%. Sempre falta um pedaço. É uma obra muito psicanalítica.

Você é formado em psiquiatria, não?

Sim. E nessa peça trabalho femininamente sobre o que Lacan chama a falta, sobre o que está castrado. Os personagens falam de amor, mas as cenas amorosas não estão. Eu poderia perfeitamente contar O Continente Negro como uma telenovela, porque ela passa pelos lugares-comuns, só que eles não estão ali. É uma obra fantasma. Em neurologia, sabe-se que se amputam uma perna, o paciente segue sentindo a perna. Nessa peça, faltam fragmentos que, no entanto, estão ali, como fantasmas. Tocamos, emocionalmente, sobre o que está perdido. É também um peça feminina porque faz uma elipse sobre as histórias. Contar direto é uma atitude masculina. As mulheres fazem elipses, vêem os detalhes; nós, homens, nos desesperamos, e perdemos com isso. A mulher vê de perfil, por isso ela sabe que está sendo olhada. Os homens, não.

No prefácio, você diz que a peça tangencia clichês e, para escapar disso, deve ser encenada com teatralidade menor. Pode explicar?

Uma interpretação sem primeiro plano, o que não funciona no cinema. É anticinema. Trabalho como roteirista em televisão, ali você tem de ser eficaz, é sabotador. O que chamo teatralidade menor são coisas que não têm nenhuma importância, chekhovianamente falando, sem trama e sem final. Isso é frase de Chekhov, sem trama e sem final, ele diz numa de suas cartas. No teatro, posso trabalhar com cenas mínimas, sem clímax, sem desenlace.

Encontrou essa teatralidade menor na montagem brasileira?

Descobri coisas na montagem de Aderbal Freire-Filho, que é muito espetacular. Isso é supreendente. A peruana, da qual gostei muito, foi feita numa sala vermelha, apenas 70 pessoas na platéia, três portas, um piano muito suave. Aqui há guitarras, jazz, um vibrato distinto. Ao mesmo tempo, Aderbal teve a capacidade de colocar em primeiro plano as ações menores. Com toda a intensidade que o espetáculo tem, parece pequeno - as mesmas pausas, a mesma delicadeza. O espetáculo gigantesco do mínimo. Gostei muito.

Você escreve peças, romances, roteiros, artigos. Há um traço comum em sua criação?

Há uma linha muito forte que atravessa tudo - a linha histórica. Tento contar a história política do Chile no século 20. Há outra íntima, que é O Continente Negro . E há a linha louca. A Secreta Obscenidade de Cada Dia , impossível encontro de Freud e Marx num banco de praça, é uma dessas peças louquíssimas e a encenou Antônio Abujamra há 15 anos. Há várias obras minhas totalmente demenciais. Uma peça de clowns, um sofá que voa, um falso road movie policial cuja trama é totalmente estúpida. Tenho paixão pelo teatro estúpido. Gosto de fazer comédias excessivas. É muito divertido.

Sobretudo para quem faz, não? Às vezes mais do que para quem vê.

Claro, claro. A gente vai apurando a linguagem assim. São exercícios delirantes. Eu tento me divertir escrevendo. Mas, é claro, a ditadura me marcou a vida, sigo escrevendo sobre ela em ensaios, contos.

Ainda é um tema? No Brasil parece já esgotado.

Para mim, não. Sou psiquiatra. E, como tal, me tocaram muitas histórias. Atendi gente cuja vida foi profundamente tocada pela ditadura. Atendi tanto ex-membros do partido comunista como da polícia política. Isso mudou minha vida.

Você ainda atua como médico?

Sim, claro. Atendi pacientes que mataram para o serviço secreto. Não há bons ou maus, todos mataram. O mal é um tema que provavelmente vou desenvolver, de como posso me transformar num assassino. Tenho lido muito Dostoievski. Talvez eu trabalhe sobre Fausto, do Thomas Mann.

Como você está vendo o surgimento de novos políticos na América Latina, como Chávez?

É uma curiosidade. Todo o personagem sem uma ‘aurora' (aponta a testa) me dá medo. Prefiro o governo socialista mais pensado do Chile. Nunca fui dogmático. Pouco antes do golpe, estava rompido com a esquerda e a direita. Não tolero os dogmas, nem mesmo dos ecologistas. A gente dogmática me põe de cabelos arrepiados. Meu teatro tende a ser um convite a pensar, incluindo aí meus escritos sobre psicanálise, sobre literatura. Estou sempre duvidando. Estou esperando que morra Fidel para que possa trabalhar com essa complexa figura.

Por que esperando que morra?

Porque a revolução é tema complexo. O século 20 foi tão revolucionário que é desesperante. Não sobrou nada de todas as revoluções. Da Rússia, só sobrou Chekhov.

Ele é anterior à revolução.

O mundo russo para mim é uma influência muito importante. O que sucedeu com esse mundo? Outra influência importante é a norte-americana, esse império romano. O que é esse império estranho? O século 20 é tão estranho.

Você foi muitas vezes a Cuba?

Fui apenas uma vez, por poucos dias. Tenho pudor de fazer turismo num país que está vivendo uma situação complicada. Queria ir como convidado, conhecer a situação.

Conhece o teatro brasileiro?

Não, muito pouco. A literatura conheço um pouco mais. Machado de Assis é o meu favorito e fiquei muito atraído por Campos de Carvalho. O Brasil é um mundo à parte. As ditaduras trataram de separar os países da América. Há apenas cinco anos comecei a conhecer o teatro argentino, que tem coisas fantásticas, a nova dramaturgia colombiana, a mexicana. Do Brasil conheço pouco, não tenho uma opinião do panaroma. Conheço apenas a literatura dramática consolidada, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos. Nada da nova dramaturgia.

Na oficina, você disse que bonecos eram bons atores porque seus corpos estão mortos e que os atores tinham de morrer para ressuscitar?

Exatamente. Em oficinas mais longas, trabalho muito sobre o corpo, um tema contemporâneo interessante. Agora mesmo no Brasil vocês têm uma exposição com cadáveres trabalhados como material plástico. Esse corpo que Orlan declarou obsoleto. É uma mulher que faz diversas operações plásticas, ora para parecer a Mona Lisa, ora para ter um nariz maia. É louca, mas interessante para pensar sobre essa visão em que as pessoas se operam assim (estala dos dedos) só porque querem ter outro corpo. O corpo tem segredos, não está dominado, não se pode mudá-lo como se troca de celular. Quando interfiro no corpo, interfiro na mente. Aí estão as doenças psicosomáticas, doenças auto-imunes, pessoas destruindo a si mesmas. Um mistério do conhecimento. Mensagem corporal que não pôde ser transformada em linguagem. Um tema que me fascina e que venho estudando muito.

Fonte: O estado de São Paulo

sábado, 26 de junho de 2010

Falece Alberto Guzik


Por Adriano Costello
Na manhã de hoje, 26, recebi a noticia do falecimento de Alberto Guzik com muito pesar. Nos despedimos assim, de repente, desse grande "cara", grande artista. Não tivemos tempo de nos conhecermos mais.... "faltou o tempo nesse tempo corrido que vivemos..... Assim é o tempo!"  Siga em paz Guzik!

Os Satyros

Alberto Guzik, jornalista, ator, diretor, escritor, integrante da Cia.Os Satyros e amigo, acaba de nos deixar. Alberto se afastou dos palcos no dia 02 de fevereiro para iniciar uma batalha contra um cancêr. Nos últimos meses lutou com todas as forças contra a doença mas na manhã deste sábado, 26 de junho, faleceu. Como sempre, envolvido em inúmeros projetos, Guzik estava desde o segundo semestre do ano passado acompanhando o processo de Roberto Zucco, nova montagem dos Satyros que integraria o elenco. Seu último trabalho no grupo foi "O Monólogo da Velha Apresentadora", de Marcelo Mirisola.

Fonte: Satyros.uol.com.br

Conforme seu último texto no Blog "Os Dias e As Horas": Dionisos me acompanha na viagem, além de ótimos amigos e do amor de muita gente. Evoé".   

Evoé, Alberto!

Texto na íntegra:

"neste deslumbrante amanhecer, em plena segunda-feira de carnaval, embarco em minha viagem rumo à travessia do rio letes e à descida para o hades. quando voltar, relatarei o que vi e vivi. o hades não é um reino fácil de se visitar. ninguém retorna de lá sem estar transformado. sei disso. e prometo partilhar com os leitores destes dias e destas horas aquilo que vou vivenciar. dionisos me acompanha na viagem, além de ótimos amigos e do amor de muita gente. evoé."

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Reflexões Teatrais 7 - Meyerhold

(V. Meyerhold)

"Toda arte é organização de um material. Para organizar seu material, o ator deve ter uma reserva colossal de meios técnicos. A dificuldade e a especificidade da arte do ator residem no fato do ator ser ao mesmo tempo material e organizador. A arte do ator é coisa sutil. O ator é a cada instante compositor."

"Uma lei geral do teatro: aquele que se permite dar livre curso a seu temperamento no início do trabalho, este o dissipará infalivelmente antes do final do trabalho e sabotará toda a interpretação."

Vsevelod Meyerhold (1874-1940)
(Ator e diretor teatral russo, desenvolveu a Biomecanica)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Estandartes de regiões brasileiras

Estandartes religiosos feitos por artesãs brasileiras


(Estandarte de São João - Artista: Virginia/MG)

(Estandarte Sagrado coração - Artista: Maria Luiza F.Ávila)

(Estandarte a São Benedito - Artista: Cléo/SP)

(Estandarte N.S.Aparecida - Artista Plástica: Cristina Lunardi)


Fonte: Programa Sr. Brasil/TV Cultura

O Teatro Medieval II

Dramaturgia Medieval

No final da idade média e no começo do século XVI aparecem na Península Ibérica dois grandes dramaturgos que, sem sair da técnica teatral medieval, enchem-na de idéias novas, em parte já humanistas e renascentistas. La Celestina, de Fernando Rojas (?-1541), é antes um romance dialogado; obra de influência imensa na Europa de então. As peças de Gil Vicente guardam o caráter de representação para determinadas ocasiões, litúrgicas, palacianas e populares.

Autores medievais - No século XII, Jean Bodel é o autor do ''Jogo de Adam'' e do ''Jogo de Saint Nicolas''. Os miracles (milagres), como o de ''Notre-Dame'' (século XV), de Théophile Rutebeuf, contam a vida dos santos. E, nos mistérios, como o da ''Paixão'' (1450), de Arnoul Gréban, temas religiosos e profanos se misturam. A comédia é profana, entremeada de canções. ''O Jogo de Robin et de Marion'' (1272), de Adam de la Halle, é um dos precursores da ópera cômica.

Espaço cênico medieval - O interior das igrejas é usado inicialmente como teatro. Quando as peças tornam-se mais elaboradas e exigem mais espaço, passam para a praça em frente à igreja. Palcos largos dão credibilidade aos cenários extremamente simples. Uma porta simboliza a cidade; uma pequena elevação, uma montanha; uma boca de dragão, à esquerda, indica o inferno; e uma elevação, à direita, o paraíso. Surgem grupos populares que improvisam o palco em carroças e se deslocam de uma praça a outra.

CONTRIBUIÇÕES DO TEATRO DA IDADE MÉDIA

· Técnicas de encenações desenvolvidas pelos atores;
· Técnicas de cenário, iluminação e sonoplastia;
· Riqueza de figurino e maquiagem;
· Autos (ex.: de Natal, de Páscoa), representados até os dias de hoje.

Farsa
Era um quadro curto sobre uma cena cotidiana, caricaturada. Tinha a intenção de imitar a realidade, exagerando para torná-la mais sensível.
Muitas farsas podiam ser representadas por um só ator. Os temas eram grotescos e abusados: maridos corneados, espancamentos, roubos, etc.

Teatro Profano
O profano é a sátira ao divino. Associa-se em grande parte ao cômico. Não aparece como forma independente antes do século XIII, não se sabe de onde provém, aumenta sua influência quando a encenação sai da igreja. Nas praças e nas feiras, os jograis-mímicos profissionais exploram a literatura oral, recitam, cantam, executam monólogos dramáticos e mímicas dialogadas, imitando tipos (o louco, o bêbado, o tolo), tornando-se assim herdeiros e transmissores da antiga tradição latina. As companhias desta modalidade teatral buscavam a contravenção não só nos seus temas, mas também com a presença de mulheres em seu elenco e com maneiras diferentes de se apresentar: cantando, dançando e, às vezes, até se despindo.

MISTÉRIOS, MILAGRES E MORALIDADES

Mistério
Reconstituía passagens da Bíblia. Não se trata de um dogma no qual a Igreja se apóia, mas de histórias de Natal, Assunção, Ressurreição, etc.

No Mistério entrava tudo: o bom e o falso, o sério e o burlesco, o verídico e o lendário. Tinha como finalidade edificar a alma, mas também distrair o público, não havendo respeito à verossimilhança. Os papéis femininos eram representados por homens.

Sua apresentação, em seu apogeu, comovia uma cidade inteira, que pagava para assistir vários ciclos de
apresentações que duravam até quarenta dias para dar continuidade a uma história.

Foi o apogeu do teatro medieval quanto à perfeição dos meios empregados e a decadência quanto ao seu valor literário.

Estrutura do Espetáculo:

· Prólogo: explicação do que iria ocorrer;
· A peça em si: em versos (346 a 61.908 versos);
Não era dividida em atos e cenas, mas em jornadas, que podiam durar um dia inteiro, com pausa apenas para as refeições.

· Epílogo ou Prólogo final: que resumia os acontecimentos e convidava os espectadores a voltarem.

Não sobreviveu às guerras religiosas e à crise econômica. Outras causas de sua morte foram a ordem moral (o sarcasmo, a intimidade do divino com o profano) e a ordem técnica (não se adaptou aos novos tempos, sendo morto pelas idéias modernas).

Milagre
É uma peça de duração bem mais curta que o mistério. Baseado na vida dos santos. É a encenação de uma
intervenção de um santo ou da Virgem Maria. Produz-se geralmente em favor de uma personagem repugnante – sogra que matou o genro; religiosas que abandonam o convento, etc. A intenção é mostrar que não há crime, por maior que seja, que não possa ser redimido pelo fé.

O Milagre era estritamente ligado à religião, mas tratado livremente, comportando sempre um sermão encaixado no curso da ação. Era escrito em versos, variando seu comprimento de 1.000 a 3.000 versos.

Aproximadamente quarenta milagres chegaram aos nossos dias. Desapareceu no decorrer do século XVI, sendo conservado apenas na Espanha.

Moralidade
É um gênero ora grave ora alegre, que era representado mediante alegorias. Provam uma verdade de ordem moral, fazendo dialogar personagens alegóricos.
Tinha intenção didática: ensinar algo. Quando seu objetivo era religioso distinguiam-se dos mistérios porque
moralizavam em vez de contar.

Fontes Bibliográficas:
BERTHOLD, Margot. História Mundial do Teatro. São Paulo: Perspectiva, 2000.
Revista Tempo Brasileiro. Lígia Vassalo. Impresso nas Oficinas da Folha Carioca Editora LTDA, Janeiro-Março de 1983.