quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Teatro de Sotigui Kouyaté


SEGREDOS DA ÁFRICA

O ator e diretor de teatro africano, nascido em Mali, Sotigui Kouyaté conta algumas histórias de seu povo e fala das tradições de seu continente.

O ator e diretor teatral Sotigui Kouyaté tem no currículo experiência de sobra para assegurar a empatia do público e elogios da crítica ocidental. Exemplos disso não faltam, como as diversas peças do dramaturgo inglês Peter Brook de que participou - contato que extrapolou os palcos para ganhar a esfera da amizade. Apesar de ter muitas histórias de oportunidades profissionais para contar, não parece ser esse lado da própria trajetória que mais inspira Kouyaté a falar. Convidado do Sesc Consolação para uma palestra e workshop sobre teatro, preferiu prender a atenção dos presentes com histórias e relatos dos costumes da "pequena parte da África" da qual faz parte, como costuma dizer. Nascido em Bamako, no Mali, é de origem guineana e descendente direto do povo que pertencia ao Império Mandengue - dinastia que, com o Império de Gana, dividia a África em um desenho completamente ignorado pelos europeus durante a colonização. Talvez justamente pelo fato de que boa parte do mundo ainda desconheça o continente africano, Kouyaté aproveitou a ocasião para falar de seu povo, do que lhe é sagrado até hoje - e isso inclui os estrangeiros, "ricos porque trazem aquilo que não conhecemos", afirma -, contar sobre a relação que tem com os mistérios e os "milagres" da vida e para agradecer a oportunidade de mais um encontro, algo que, segundo ele, está no âmago da civilização africana. A seguir, trechos.

MEMÓRIA COLETIVA

A África é imensa, grande e profunda. Muito vasta. Logo, querer falar pela África seria uma grande pretensão. Por isso, escolhi falar sobre a pequena parte da África à qual pertenço, a África do oeste. Na porção oriental do continente, antes da colonização, houve grandes impérios. No século 11, houve o Império de Gana e, no século 13, o Império Mali (Mandengue, na verdade, já que Mali é um nome ocidental). E eu faço parte do que era o Império Mandengue, que abrigava o que hoje é o Senegal, a Gâmbia, a Guiné-Bissau, a Libéria, a Mauritânia, a Guiné, o Mali, Burkina Fasso, o norte da Costa do Marfim e o leste do Níger. Meu sobrenome, Kouyaté, tem origem nesse império e está ligado a sua história. Ele quer dizer "há um segredo entre você e mim". Sou o que chamamos griot. Os griots são como a memória do continente africano - dessa parte da África da qual falei. São a biblioteca, os guardiões da tradição e da cultura africana, encarregados de organizar todas as cerimônias. A função mais importante de um griot é a de mediador entre o povo, os reis e as famílias - e isso ainda continua. A presença deles é indispensável para o equilíbrio da sociedade africana. A gente não se torna griot, nasce. É algo que se passa de pai para filho. E não somente os homens são griots, existem mulheres também, e elas são muito poderosas. Foi essa minha função de griot que me levou ao teatro. Porque um griot não representa somente as palavras, tem a ver com estar a serviço de todo mundo. Minha mulher diz que eu não sei dizer não. Mas um griot não pode dizer não a uma pessoa que lhe faz uma pergunta, a menos que não possa responder.

COISAS SAGRADAS

Há dois anos aconteceu uma coisa que me fez adorar São Paulo mais que tudo. Uma moça que está aqui na sala, a Juliana, foi a primeira guia que o Instituto Francês me confiou. Como sou um pouco curioso, fiquei perguntando o nome das ruas e queria saber o significado. Ela me disse que algumas ruas tinham nomes de árvores, e eu fiquei completamente emocionado. Porque sei que, em alguns países civilizados, as ruas têm nomes de personalidades históricas e políticas. Então, venho a um país onde a natureza também tem direito a essa honra, e é essa natureza que conta para nós. O que nos diferencia desses, que também são seres, é que nós somos seres humanos porque recebemos uma parcela do poder criador divino, que é a palavra, a fala e o espírito.

Ainda temos muita relação com a natureza em nosso país. Os crocodilos, por exemplo, são sagrados para nós; os meus filhos, que vieram ao Brasil comigo, encontraram alguns desses animais e até sentaram em cima de alguns deles sem ser mordidos - tiraram fotos, filmaram etc. É tudo uma questão de sensibilidade, de como o homem pode ter uma relação de cordialidade com animais que são considerados ferozes. Em regiões diametralmente opostas de Burkina Fasso, quando um crocodilo morre, é enterrado. É como se a alma de uma pessoa da aldeia tivesse morrido também. Eles são muito protegidos. Mas não há somente os crocodilos sagrados, há também as cobras e os peixes sagrados.

O estrangeiro também é sagrado para nós. Claro, não como há 50 anos, mas as regras continuam sagradas. Um estrangeiro que chega, certamente, encontrará o que comer e onde dormir. E também há uma grande estátua que dá as boas-vindas aos estrangeiros. Chamamos os estrangeiros de "as pessoas ricas". Não materialmente - pois isso não é uma riqueza -, mas são ricas porque trazem aquilo que não conhecemos, o que ignoramos. Antigamente, quando o estrangeiro chegava, era alojado por três dias gratuitamente. Também não pagava nada para se alimentar. Mas tinha uma obrigação: durante as três noites ele ficava presente com a família, para falar de suas experiências, de onde vinha, o que viu no caminho e o que acontecia em seu país. Depois de três dias, não tínhamos mais obrigações. Ele também não. Mas era raro o mandarmos embora. E há uma dupla vantagem nisso: por um lado, a gente se forma e se conhece, por outro, é uma maneira de eles viajarem com poucos recursos. Não podemos dizer que um povo acolhedor não seja civilizado. O sábio não é aquele que pensa que sabe, mas é aquele que sabe que cada dia tem algo a aprender com outra pessoa. Por isso, também estou aqui como aprendiz, para me enriquecer com suas experiências.

PARA SITUAÇÕES DIFÍCEIS

Aconteceram muitos mistérios na minha vida. O Peter Brook fala em um documentário que tenho a capacidade de viver em dois mundos diferentes: no mundo visível e no invisível. É difícil fazer compreenderem isso. Tudo é cultural. Milagres existem, mas só acontecem para os que acreditam. E são relativos também, porque é preciso saber enxergá-los e compreendê-los. Vou contar uma história sobre isso, o tipo da coisa que, se você contar para uma pessoa normal, ela vai dizer que sou louco, mas enfim... Depois de uma turnê que passou pela Europa e ainda por outros países, estávamos na Austrália, representando ao ar livre, com mais de 300 acessórios - tapetes, toalhas, velas, bandeiras - e o local era uma pedreira. Na época, estavam realizando por lá um concurso de veleiros. No primeiro dia de ensaio o vento levou tudo embora. Por isso, não era possível fazer o espetáculo. Então, o Brook veio até mim e disse: "Caro Sotigui, estamos em uma situação difícil". Então, eu disse que não poderíamos fazer nada contra a natureza, que só poderíamos rezar. Daí ele pegou as minhas duas mãos e disse para eu rezar. Nesse nosso grupo havia um indonésio. Como a Austrália e Bali [capital da Indonésia] não ficam muito distantes, os pais dele haviam ido visitá-lo. Ele me apresentou aos pais, e a mãe dele era uma sacerdotisa em Bali. Então, eu disse a esse colega que naquela noite eu iria rezar por nossa situação. Por isso, falei para ele pedir à mãe se ligar a mim mentalmente. No dia seguinte, voltamos à pedreira e não tinha mais vento. O que deve ter sido ruim para o campeonato de veleiros.

Fonte: http://www.sescsp.org.br (revista nº117/ano 2006)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

UM POUCO DE HISTÓRIA, NÃO FAZ MAL A NINGUÉM...

Mas isto não é Circo... – Ele é ótimo, mas não é um palhaço... – Esse cara é um clown? Clown de Circo ou de Teatro? Mas palhaço não tem que ter nariz vermelho?

Volta e meia escuto estas questões... E quem as faz parece muito preocupado em entender para classificar. É muito importante, na nossa cultura ocidental, poder colocar cada coisa no seu lugar... Parece que só assim poderemos entender, e que só entendendo poderemos curtir, fruir, gozar...

Mas afinal o que é circo? O que é um palhaço? E será que é tão importante saber defini-los?

Circo é um picadeiro onde se apresentam artistas de "habilidades", e números de cavalos, e elefantes, e outros animais, enquanto o público come pipoca e algodão doce. Certo? Certo, mas não é só isso...

As artes circenses sempre existiram. As paredes de monumentos em Tebas mostram malabaristas malabarando há mais de 4.000 anos. E na China, na mesma época, já existiam acrobatas, contorcionistas cavaleiros audazes, equilibristas... E na Índia, e na América Central...

Enfim, sempre existiram artistas que se apresentavam em praças, nas festas do povo e nos palácios dos nobres fazendo coisas incríveis e divertindo a todos. Na Grécia o Teatro se organizou nos festivais, e surgiram as "regras Aristotélicas", e o Teatro se definiu. Mas os artistas que faziam "coisas" continuaram seu trabalho, seguiram pelo mundo e atravessaram os tempos. Estavam na Grécia - mas não no teatro grego. E foram para Roma, nos circos, se apresentando entre uma chacina de cristãos e um duelo de gladiadores, fazendo multidões se maravilharem e rirem.

Quando o Império Romano sucumbe as artes organizadas se desorganizam, e o teatro e a música sofrem muito. Mas os artistas não param. Artista não para nunca! E a Idade Média vê surgirem trupes de saltimbancos em todas as feiras e festas. O nome já explica tudo! Eles saltavam bancos que serviam para expor mercadorias ou como praticáveis para artistas e vendedores. O termo banqueiro é da mesma época e se refere aos mesmos bancos. Quem diria, os primeiros Bancos eram apenas praticáveis onde um sujeito esperto trocava moedas e fazia negócios, enquanto jovens artistas atraíam o público dando saltos e cabriolas.

O interessante é que os Saltimbancos faziam de tudo: cantavam, tocavam, brincavam com bonecos, recitavam, saltavam e faziam toda espécie de equilíbrios. Cada trupe queria ter mais possibilidades de atrair o público e por isso um artista devia ser completo: ator, músico, bailarino, acrobata e bonequeiro. Se, além disso, ele conseguisse realizar alguma proeza especial todos do grupo lucrariam.

Neste época ninguém se intitulava ator ou bailarino eram todos artistas saltimbancos. Pouco a pouco algumas trupes foram se especializando em uma destas habilidades, mas a maioria estava pronta para o que desse e viesse. O importante era possuir um repertório de possibilidades que agradassem os mais diferentes públicos. Trupes de saltimbancos são a base dos grandes teatros europeus da era clássica e também dos primeiros corpos de ballet. Um exemplo é a família Chiarini que deu artistas para o Scala de Milão, para o Teatro dos Italianos e teve um dos maiores circos de toda a história.

Quando o oficial inglês Phillip Astley cria seu espetáculo de equitação e resolve colocar malabaristas e contorcionistas para atrair mais público é nas feiras, entre os saltimbancos que ele vai descobrir seus artistas. E a essa altura, 1770, as feiras eram enormes eventos que duravam meses e tinham espaços permanentes para apresentação de espetáculos. Os historiadores consideram que o Teatro de Astley (ele ainda não usava o termo circo) é o início do circo moderno.

E este circo fez muito sucesso! Arrebatou multidões e se multiplicou por todos os cantos da Europa e da América em pouquíssimo tempo. Mas o que era esse circo? Um espetáculo de cavalos, com atrações diversas. Simples não? Malabaristas, equilibristas, aramistas, contorcionistas, músicos excêntricos, acrobatas, domadores de feras e adestradores de diferentes animais mesclados a eqüestres e amazonas. E tinha teatro também! Nos circos a palavra estava proibida. Havia uma lei na França, que foi transformada em regra no resto da Europa, que só permitia a fala nos teatros autorizados para tal. Era uma lei protecionista, exigência dos atores protegidos pelo Rei que não queriam sofrer a concorrência dos artistas de feira.... Esta lei só foi completamente extinta na segunda metade do sec. XIX. E a ela se deve o grande desenvolvimento da mímica e das pantomimas.

O Teatro de Astley (e todos os circos que vieram depois) apresentava pantomimas eqüestres. O romancista inglês Charles Dickens faz uma interessante descrição de um espetáculo de Astley:

"E depois que maravilha o espetáculo em si mesmo! Os cavalos que o pequeno Jacob acreditou serem de carne e osso desde o princípio e as senhoras e cavaleiros que ele julgou serem a fingir e ninguém o conseguiu convencer do contrário, pois nunca tinha visto ou ouvido nada parecido; o disparo dos tiros ( que fez Bárbara fechar os olhos); a dama abandonada (que a fez chorar); o tirano (que a fez tremer); o homem que cantava a canção com a criada da senhora e dançava ao som do coro ( o que a fez rir); o pônei que se empinava sobre as patas traseiras ao ver o assassino, e não queria voltar a andar de quatro patas enquanto ele não fosse preso, o palhaço que se atrevia a meter-se com o soldado de botas; a dama que saltou por cima de vinte e nove fitas e caiu ilesa na garupa de um cavalo... tudo, tudo era maravilhoso. "

E foi no circo de Astley que surgiu o palhaço ? Antes de Astley a cômica figura do clown já reinava nas pantomimas dos teatros ingleses. E clown não é nada mais do que palhaço em inglês.... A origem do nome vem de campônio, camponês, caipira. É a velha figura do tolo/esperto que vem do interior para a cidade e se atrapalha, e é enganado, mas que nem sempre se dá mal....

Com o desenvolvimento dos circos por toda a Europa esta "nova" figura cômica vai se transformando, cada artista dando a sua contribuição e criando um personagem tão forte que passa a ser o símbolo maior do circo. Mas ele não tem data nem local de nascimento. O palhaço é da linha genealógica dos parasitas gregos, dos stupidus e cicirrus romanos, dos bobos e bufões, dos arlequins e polichinelos, dos saltimbancos e truões, e dos pícaros espanhóis. E no circo, no teatro ou nas ruas ele pode ser um grande mímico, um acrobata soberbo, músico, equilibrista ou tudo isso junto. E se no início era proibido falar, quando pode transformou-se num grande parlapatão, no clown parleur como dizem os franceses. Há palhaços para todos os gostos e talentos. Cada um descobre o seu caminho e a única regra é romper regras e ridicularizá-las.

Por isso é que quando começo a ouvir essas falas sobre o que é circo, ou se fulano é ou não um palhaço, fico com vontade de gritar: - Chega de definições limitadoras! O Circo é a grande praça onde cabem todos ! O Teatro viveu séculos preso a estúpidas regras de tempo e espaço. A música sofreu para se livrar das escalas cromáticas. O povo do circo foi formado por todos aqueles que viviam sobre a única regra de conquistar sua platéia. No Circo se dança, se canta, se toca, se faz teatro e se equilibram bolas e cadeiras.... E não há um compromisso de "elevar a moral" de ninguém, e não há a proposta de "educar as massas". O circo é diversão pura, é prazer. Acho que no início do terceiro milênio da era que começou com Cristo estamos por fim descobrindo a importância do fundamental: ser feliz juntos. Neste mundo insano, que viva o circo que só pretende formar uma grande e generosa roda em que gente se diverte junto. O Circo é o inútil elevado ao sublime... Abre a roda!

Alice Viveiros de Castro
Fonte: http://www.crescereviver.org.br/

domingo, 22 de agosto de 2010

O Circo, uma das mais antigas artes de espetáculos do mundo

Teve origem em povos nômades da Eurásia.

Artistas de circo em tela de Georges Seurat, 1891. Existem muitos tipos de circo: circo de rua, circo tradicional, circo chinês, circo russo etc.

O universo circense é na verdade um conjunto de diversas artes: malabarismo, palhaço, acrobacia, monociclo, adestramento de animais, equilibrismo, ilusionismo etc.

Naquela época, a acrobacia era utilizada como forma de treinamento para os guerreiros, pois gerava agilidade, flexibilidade e força.


27 de Março - Dia nacional do circo

Na época em que não existia televisão nem cinema, e o teatro era diversão para as elites, a chegada de um circo era uma festa que empolgava adultos e crianças. Como as opções de lazer e entretenimento eram poucas, o circo promovia o grande evento em que as pessoas se reuniam para se divertirem com palhaços, mágicos, malabaristas e outras atrações.

A China revela os registros mais antigos de atividades circenses; nesse país há pinturas de cinco mil anos, com figuras de acrobatas, contorcionistas e equilibristas. Foi na Grécia e em Roma antigas, porém, que o circo adquiriu forma e até uso político. Os Césares instituíram a política do "pão e circo", que consistia em oferecer comida e entretenimento à população, como formas de domínio e contenção. Por volta do ano 70 a.C., surgiu o Circo Máximo de Roma, que foi destruído totalmente por um incêndio. Mais tarde, para aplacar a insatisfação popular, foi construído no mesmo lugar o Coliseu, com capacidade para 87 mil pessoas. Oferecia apresentações de engolidores de fogo, gladiadores e espécies exóticas de animais. Anos depois, com a perseguição ao cristianismo, o Coliseu transformou-se em uma arena em que os cristãos capturados eram jogados aos leões para serem devorados diante do público.

Os verdadeiros artistas circenses passaram, então, a se apresentar em feiras, praças e igrejas. A prática acabou se espalhando pela Europa e perdurou vários séculos na figura dos saltimbancos, que apresentavam simulações de combate e equitação e os tradicionais malabarismos que encantavam o público.

O circo moderno surgiu na Inglaterra. O oficial Philip Astley, da Cavalaria Britânica, inaugurou o Astley's Amphitheatre em 1770, o qual apresentou a estrutura que os circos utilizam até hoje, com um picadeiro central e uma arquibancada. A principal atração era um espetáculo com cavalos, mas Astley logo contratou saltimbancos, malabaristas e palhaços. O apresentador do show era o próprio Astley, surgindo então a figura do mestre-de-cerimônias.

No Brasil, os circos apresentavam uma estrutura teatral. Sua introdução deve-se às famílias ciganas que, com suas tendas, atraíam espectadores para suas apresentações. O espetáculo do circo-teatro era dividido em duas partes. A primeira era tradicional, com malabaristas e mágicos. A segunda introduzia o teatro, apresentando peças, em sua maioria cômicas. Esse estilo de circo predominou durante quase um século, colocando os brasileiros em contato com as artes cênicas.
O picadeiro ficou conhecido como o berço do teatro brasileiro. O maior expoente desse teatro cômico que começava a dar os seus primeiros passos foi o palhaço Piolin. Seu nome era Abelardo Pinto; nasceu em Ribeirão Preto, São Paulo, em 27 de março de 1897. O Dia Nacional do Circo foi instituído em sua homenagem, devido a seu trabalho pioneiro na introdução do circo e das artes cênicas.

sábado, 21 de agosto de 2010

Pesquisa: “Um olhar, um novo olhar, através de...”

A máscara uma possibilidade pedagógica...

Por Renata Ferreira Kamla

Com a máscara, sentimos subitamente uma força e uma segurança totalmente desconhecidas. Tendo o rosto oculto, recobra-se confiança e ousa-se o que nunca se ousaria com o rosto descoberto. A máscara impõe uma grande força e amplitude em cada movimento, exige movimentos completos e desenvolvidos até o fim, que tenham o mesmo caráter ponderado, regrado e forte, o mesmo estilo que a própria máscara. A máscara dá uma grande estabilidade e um sentimento forte de medida, e também uma espécie de consciência de si mesmo e do controle sobre si mesmo. Cada movimento se faz em relação à máscara. (COPEAU, 2000).

Esta pesquisa investigará a possibilidade da utilização das máscaras como um caminho pedagógico e facilitador para o processo de criação e formação do ator.

Pensando o teatro como uma manifestação artística que revela verdades, relacionando o ator com o mundo em que vive, com o outro e com o público num jogo permanente, percebemos, a presença do princípio ético, da comunhão, adaptação e verdade cênica, traçados por Stanislavski, em paralelo com a pedagogia de Copeau, do seu discípulo Jacques Lecoq e do professor doutor Armando Sérgio da Silva.

Para se desenvolver esta pesquisa faz-se necessário delinearmos paralelos, identificações e fusões entre esses referidos autores pesquisadores. A pesquisa tem como objetivo investigar a utilização dos diversos tipos de máscaras como ferramenta para a criação do ator, possibilitando através dos estados que elas provocam criar caminhos de construção de ações e vivências para o ator abordar as personagens de diversas dramaturgias e colaborar com o panorama da interpretação teatral atual.

Através de estudos práticos com um grupo de alunos-atores investigaremos o caminho máscara-personagem, personagem-máscara, estimulando a imaginação criadora. Analisaremos as pesquisas dos autores citados fazendo paralelos com a prática atual nas escolas de teatro e nos grupos de pesquisa com atores formados, procurando entender o porquê deste signo e o que representa como possibilidade pedagógica ao estudante de teatro hoje.

Acreditamos que possamos através da experimentação cênica do diálogo entre as máscaras e suas técnicas, provocar improvisos e descobertas, propiciando a consciência individual de cada interprete do seu processo metodológico de criação, traçando um novo olhar. A máscara como fio condutor de pulsão e energia. Afetando e sendo afetado.

Mais informações sobre esta e outras pesquisas teatrais: http://cepecausp.blogspot.com/

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Bufão

A palavra BUFÃO (comediante) vem de bufa (ou peido mesmo). Usando de mímica e pantomima os "bufões", em suas apresentações, imitavam com a boca os sons de bufas para fazer seu público rir. Hoje, o antisséptico teatro fica indignado com escatologias , ou com gestos ou palavras um pouco mais bufônicas em cena. Trata-se de uma apropriação do popular e seu enquadramento na ética e moral burguesas.



(Fonte: ator Bemvindo Siqueira)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Teatro Mambembe

O TEATRO DO POVO

O teatro "Mambembe" surgiu no século XII, idade média, na Europa, quando artistas - atores, malabaristas, cantores, etc - fugindo da repressão da igreja começaram a viajar em carroças apresentando seus espetáculos, e eram chamados de "Saltimbancos" (do italiano "Saltare in banco").

A expressão Mambembe surgiu no brasil, provávelmente, entre os séculos XVII e XVIII, e muitos defendem que a palavra é de origem africana (banto):: Mumbembe> que significa: "lugar distante".

Para os dicionários brasileiros Mambembe significa "algo de má qualidade", "medíocre", e "grupos teatrais/circenses itinerantes que apresentam espetáculos popularescos sem recursos tecnológicos".

Fonte: Adriano Costello; CanalKids - MambembeCirquedusoleil - Saltimbancos

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dicas para Cantores/Atores

Aí vai uma tradução livre do texto originalmente escrito por Jeannette LoVetri, disponível em seu site. Jeannette é uma das mais respeitadas professora de canto nos Estados Unidos e criou o método Somatic Voicework.

O que você deve saber sobre cantar.

Por Jeannette LoVetri.

1. Sua voz terá um rendimento muito melhor com uma respiração profunda e fácil. Solte o ar livremente enquanto canta, mantendo os músculos do abdômen sempre ativos;

2. Seu corpo funciona melhor de pé com coluna e cabeça eretos e ombros relaxados;

3. Sua face é também é importante. Movimente boca e mandíbula livremente, sem tensões nos músculos da face e com os olhos tranqüilos e atentos;

4. Sua mente necessita estar envolvida com a letra de cada canção que você vai cantar. É necessário realmente compreender não apenas o que diz cada canção, mas o significado e no que ele implica. Permita que as palavras tenham efeito sobre você de modo a torná-las mais “vivas” e expressivas. Simplesmente entendê-la em sua mente sem permitir que apareça em seu corpo e no seu rosto não é suficiente;

5. Se você não acreditar em você mesmo quando canta, ninguém mais vai;

6. Sua garganta jamais deve espremer, apertar, sentir cansaço ou engasgar-se quando você canta. NÃO IMPORTA O QUE ACONTEÇA;

7. A escolha da música é tão importante quanto a sua maneira de interpretá-la. Nem toda música é adequada a todas as pessoas e vozes;

8. É preciso adequar cada música á sua própria tonalidade. Uma partitura musical é transcrita em uma determinada tonalidade para ser tocada em um piano e não por ser o tom mais apropriado para você cantar. Nem todas as músicas que você canta estão no mesmo tom, o que também é altamente indesejado;

9. Não existe uma forma de se aprender a cantar que represente a ÚNICA forma de se cantar, mas, todos os métodos devem fazer sentido fisiológicamente (considerando a natureza do funcionamento das pregas vocais). É totalmente desnecessário fazer coisas contrárias à normalidade da “função vocal”;

10. Lembre-se: cantar é gostar de fazer música PARA (e em alguns momentos, COM) outras pessoas. Pode ser necessário muito trabalho para fazer com que isto aconteça SEMPRE, mas, esta é a proposta do estudo do canto: melhorar não só suas habilidades, mas sua capacidade de desfrutar o prazer de SER CANTOR.


Fonte: vozplena.blogspot.com

Cursos: Difusão Cultural na SP Escola de Teatro

Estão abertas até 5 de agosto as inscrições para os cursos de Difusão Cultural da SP Escola de Teatro.

Uma segunda linha de força na SP Escola de Teatro compreende os cursos de Difusão Cultural, gratuitos e implantados sob os mesmos preceitos pedagógicos e artísticos dos Cursos Regulares. Além da otimização destes, os cursos de Difusão firmam uma ponte direta com criadores e pensadores de outras esferas. Mobilizam a população e os artistas amadores e profissionais interessados em aperfeiçoar ou ampliar seus conhecimentos teatrais.

A Difusão Cultural deixa implícita a intercomunicação com os Eixos Temáticos dos Cursos Regulares sem jamais perder de vista a ponte com a comunidade e seus segmentos (o meio teatral, professores, secundaristas, universitários). A intenção é trazer a comunidade à Escola e levar a Escola à comunidade em deslocamentos físicos, virtuais e simbólicos, trocas artísticas e culturais.

São três as áreas de concentração que ancoram as atividades da Difusão Cultural: a iniciação, a reflexão e a produção. Por meio desse tripé, o cidadão pode acessar as etapas de base, de aprofundamento e de viabilização do fazer artístico com ênfase nas artes cênicas e suas múltiplas artérias.

A previsão é oferecer 26 cursos ao ano, com carga de 64 horas de duração cada. O objetivo é manter a excelência nos conteúdos e no perfil dos ministrantes convidados, suprindo demandas em formação e qualificação profissional, para além dos 8 Cursos Regulares.

Além dos cursos presenciais serão oferecidos cursos a distância, mesas de discussão com profissionais de notório saber, bate-papos online, videoconferências e publicação de uma revista eletrônica semestral; serão, ainda, firmadas parcerias com diferentes equipamentos culturais para levar cursos para diferentes cidades do Estado de São Paulo e fora dele.

Por fim, trocas culturais serão estabelecidas a partir dos intercâmbios entre diversos países e profissionais, ao longo dos anos.

A premissa de abertura ao outro e o fluxo populacional que abraça fazem da Difusão Cultural um complemento essencial à formação global e cidadã que a SP Escola de Teatro faz valer.

As inscrições para os novos cursos de Difusão Cultural serão realizadas entre 19 de julho e 5 de agosto. A lista dos selecionados estará disponível no site da Escola a partir de 9 de agosto. As matrículas devem ser efetuadas entre os dias 10 e 13 de agosto

Maiores informações no site: http://www.spescoladeteatro.org.br/cursos_de_difusao/index.php#difusao_cultural